domingo, 10 de janeiro de 2016

Fragmentos filosóficos, poéticos, delirantes*


"Como em Tchekhov ou na fase inicial de Joyce, o desejo é deixar os acontecimentos falarem por si mesmos, escolher o detalhe exato que tudo dirá e, desse modo, permitir que o máximo possível permaneça não dito. Essa espécie de contenção requer paradoxalmente uma abertura de espírito de que apenas poucos estão dotados: uma capacidade de aceitar o dado, de permanecer uma testemunha da conduta humana e não sucumbir à tentação de se tornar juiz."

"(...) O indizível gera uma poesia que ameaça continuamente ultrapassar os limites do dizível (...)"

"Ashbery escreve como um forasteiro, como alguém destituído da possibilidade de uma interação tolerável com o mundo e, por mais dissimulado ou humorístico que se torne, o sentimento essencial em seus poemas é de saudade."

"Grande parte da melhor poesia atualmente escrita é publicada por pequenas editoras e apreciadas por não mais que algumas centenas de leitores."

"(...) Acho que a única explicação para isso é que quando você começa a escrever um poema ele já foi escrito dentro de você, ainda que você não tenha consciência disso."

"Quando digo que existem muitos livros no livro, é porque há muitas palavras na palavra."

"(...) Trata-se de um artista que pinta da mesma forma que respira. Ele jamais se limitou a criar objetos bonitos, mas procurou, no ato de pintar, tornar a vida possível para si."

"O equilibrismo na corda bamba não pode ser realmente ensinado: é algo que se aprende sozinho. E certamente um livro será o último lugar a que se recorrerá caso se queira realmente aprendê-lo. (...) a corda bamba é uma arte da solidão, uma forma de enfrentar a própria vida no recôndito mais escuro, mais secreto do Eu."

*Paul Auster in "A arte da fome". José Olympio Editora. RJ. 1996

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