quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Levando os Olhos para passear*


Querido leitor, paz! É sábado de manhã... Levanto cedinho e levo meus olhos para passear.

Na calçada ao lodo, os bougainville estão floridos embelezando o céu e criam um tapete para meus pés, que tem como testemunhas meus dois olhos.

Bem à minha direita, ao alcance e deleite dos olhos, um bem-te-vi me avista e avisa todo o bando que, em coro, cantam: “bem-te-vi”.

Vejo, agora, o joão de barro que cisca o chão em busca do material perfeito para a construção da nova casa. “Por que será que o João de Barro não entrou na casa vazia e resolveu fazer uma nova?”.

Continuo caminhando e sou testemunha ocular de que levei meus olhos para passear. O sentimento de inteireza toma conta de mim a ponto de sentir o cheiro de pão matinal que vem da padaria em frente. Além do pão, também sinto o indescritível cheiro de café que vem daquele lugar. Entro. Peço um expresso com leite, meu café preferido. Enquanto a atendente preparava o café, meus olhos fazem a festa, piscam de alegria com bolos, pães com sortidas cores pasteis.

Meus olhos correm tudo e paralisaram no pão de queijo, bem torradinho. Sento a mesa e saboreio o lanche como se saboreia a vida.

Saio daquele lugar e continuo o passeio pelas ruas próximas, ocasião em que meus olhos se deleitaram com rosas vermelhas, orquídeas e jasmim.

Nesse sensorial sábado de pães, café e flores, lembro-me de duas coisas que fazem muito sentido nesse momento. Uma, é a do pensamento de Alberto Caeiro, que diz que o mundo é para ser visto e não para pensarmos nele. A outra vem do Livro Sagrado que fala da poesia da criação onde Javé, depois de cada dia de trabalho, contemplava sua Criação e via que tudo era muito bonito. Meus olhos dizem amém a tudo isso hoje.

E você, já levou seus olhos para passear em 2016?

*Beto Colombo
Empresário. Escritor. Filósofo Clínico

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