quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

O Olhar de Celan*


“por onde ela quer descer, a estrela:
para embaixo nadar, embaixo,
onde se vê cintilar...”
Paul Celan

Devir é transformar o Ser no que é,
Ser é além do vir a ser,
Nadar é olhar o rio,
Celan em poética do sentir.

Ver é o Ser que atira na vida, água,
A expressão da contradição que molha,
O manto, o corpo se move, sentido,
A projeção da linguagem no absoluto, a morte.

Devir é o velejar, o pensar no lago,
O Nada é o descontínuo cruzar da diferença,
O corpo é mais rápido que o olhar,
Atravessa a margem, é o descobrir o lado seguro.

A lógica da vida é o sentir, descreve o conceito,
É o que está na essência,
É o que trata do Ser, a expressão do
“ondear das palavras errantes”, a diferença. 

É tudo mais prazeroso, o que se lê com calma, a alma do absoluto desejo do leitor, o prazer de ler é quase Deus, retorna à compreensão ao texto, tudo faz sentido. Ao interpretar o texto, ao ler o poema, esse é o momento mais apropriado para se orgulhar do esforço, o corpo agradece, o todo está presente. Os olhos podem cansar, mas a leveza das pedras na leitura dá sentido ao sentir o melhor das coisas.

Paul Celan, para o escritor Paul Auster é “o melhor poeta do pós-guerra em qualquer idioma”, me uno ao Auster no que diz o melhor dos poetas. Leio e releio Celan com o renovado olhar que se inicia a cada ano que surge em minha vida.

*Prof. Dr. Luis Antônio Paim Gomes
Filósofo. Professor. Editor. Livre Pensador.
Porto Alegre/RS

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