terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Fragmentos filosóficos, delirantes*



"(...) Blanchot, por sua vez, nos fala de uma mensagem cujo conteúdo se modifica progressivamente ao longo do trajeto (...)"

"(...) ninguém pode penetrar no universo dos sonhos se não está dormindo; da mesma forma, ninguém pode entrar no mundo fantástico se não se torna fantástico."

"Se estou no avesso de um mundo avesso, tudo me parece direito. Portanto, se eu habitasse, eu mesmo fantástico, um mundo fantástico, não poderia de modo algum considerá-lo fantástico (...)"

"Para rasgar os véus e trocar a quietude opaca do saber pelo espanto do não-saber é preciso um 'holocausto das palavras', esse holocausto que a poesia realiza de saída (...)"

"O ponto de partida é o fato de que o homem nasce da terra: ele é 'engendrado pela lama'. Entendemos por isso que ele é o produto de uma das inumeráveis combinações possíveis dos elementos naturais."

"Se uma sociedade filosofa, é porque 'há folga na engrenagem', é porque há espaço para o sonho individual, para a fantasia de cada um, para a interrogação e para a incompreensão. E enfim porque não há ordem social perfeitamente rigorosa."

"Renard escreve em 7 de janeiro de 1889: 'Pôr na abertura do livro: 'Não vi tipos, mas indivíduos'. O cientista generaliza, o artista individualiza."

"A liberdade é una, mas se manifesta diversamente segundo as circunstâncias."

"(...) É que na embriaguez de compreender sempre aparece a alegria de nos sentirmos responsáveis pelas verdades que descobrimos."

"(...) o homem é o ser cujo surgimento faz que um mundo exista."

*Jean-Paul Sartre in "Situações". Ed. Cosac Naify. SP. 2005 

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