quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Fragmentos Filosóficos, Delirantes*


"(...) o espaço não utilizado em Arquitetura, igual à palavra não proferida numa obra literária, possuía seu próprio esboço (...)"

"Os poços, assim como os seres vivos, têm seu período de vida. A exemplo dos homens, a água pode envelhecer e morrer."

"E podes fazer de tuas palavras o que desejares, embora elas também possam fazer de ti muitas coisas"

"A memória não tem a mesma idade em todas as partes de nossos interior"

"Permaneceu sob esta cidade como aquelas mulheres que, durante a vida inteira, ficam debaixo do mesmo homem sem raciocinar se aquele homem as deseja ou quer.." 

"Dizem que a alma do homem cresce mais do que o corpo."

"Tomem cuidado enquanto dormem! Dizemos aqui que a pessoa durante o sono esquece, a cada noite, alguém que amou ao estar acordada..."

"Afinal, os que haviam partido sempre contavam o final da história numa língua estrangeira, incompreensível para aqueles que haviam ficado."

"A cada palavra proferida, alguma coisa mudava nele: os bigodes, os olhos, os joelhos, os dedos, a cor das unhas... Até que formasse uma frase, estaria transformado num outro homem. Se a frase fosse diferente, ele seria diferente também." 

"Não nos devemos acostumar nem ao leito, nem ao próprio nome. É por isso que o monge de quem estou falando não se detém por mais de três semanas em mosteiro algum, e sempre acaba dormindo dentro de uma arca vetusta. Assim que ele se acostuma a um lugar qualquer, muda de nome e sai em busca de novas águas."

"Dizem-nos que contemplamos estrelas desaparecidas há muito tempo, mas não sabem que a água que bebemos também já foi bebida há muito tempo."

"Por isso mesmo, tome cuidado com as suas doenças, até mesmo em sonho, e durante a vigília, mais ainda. Elas sempre passam algum recado..." 

*Mirolad Pávitch in "Paisagem pintada com chá". Ed. Cia das Letras. SP. 1990

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