sábado, 27 de fevereiro de 2016

Fragmentos Filosóficos, Delirantes*



"As máscaras pós-modernas estão sob influência. Influência de coisas, de problemas ancestrais. Traduzem a força impessoal que, de forma subterrânea, vem de muito longe, e às vezes se exprime à luz do dia."

"No caso, a adesão aos totens coletivos parece-me traduzir um (re)conhecimento de si como resultado de um devir. Todos estamos na estrada. A realidade é estruturalmente impermanente."

"Trata-se na realidade de uma dialética específica, que poderíamos qualificar de alquímica, na qual o mesmo e o outro estão constantemente dialogando, num andamento sobressaltado, para formar um corpo social intenso que dura só um instante."

"Só existe autêntica 'inteligência' se soubermos ligar os diferentes aspectos, as múltiplas máscaras da pessoa plural."

"Nunca será demais insistir na misteriosa alquimia que existe entre a pessoa e seu ambiente comunitário. Essa interação, a subjetividade de massa em seus múltiplos fenômenos, tudo isto bem demonstra que a ligação, a inteligência que o homem estabelece com o seu meio natural e social constitui para ele a maneira de refletir em si mesmo o universo inteiro."

"O gênio enraizado (no sentido forte) no mundo contém em si todos os 'tipos' humanos, o louco, o santo, o criminoso, a mamãe e a puta, sem esquecer o tipo sem qualidades que constitui o homem de todos os dias."

"(...) isto é reservado ao artista, indivíduo à parte, mais ou menos maldito, original e marginal."

"Assim, para retomar uma expressão goetheana, a conexão social é feita mais de 'afinidades eletivas' que de contratos racionais. Ter ou não o 'feeling' será o critério essencial para julgar a qualidade de uma relação. E é nesse aspecto no mínimo evanescente que repousará sua durabilidade."

"Sensibilidade trágica que transforma uma fraqueza numa virtude. Que, de um sentimento de impermanência de todas as coisas, faz um 'mais ser' intenso: o do carpe diem."

"O imaginário societal tem uma autonomia específica. É móvel, fugidio, polimorfo, mas não menos eficaz. E somente um politeísmo epistemológico pode levar a entender o advento das figuras em torno das quais se estrutura a ligação social."

"O filósofo americano Thoreau fala em algum momento de um quarto Estado. Ao lado da Igreja, do Estado e do povo, o estado de 'andarilho errante'. Que podemos entender através de todas essas figuras nômades que recusam a estabilidade sexual, ideológica ou profissional."

*Michel Maffesoli in "O ritmo da vida". Ed. Record. RJ. 2007

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