sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Fragmentos Filosóficos, Literários, Delirantes*



"Pessoas que encontram partes preciosas de si não em outras pessoas, mas em livros"

"Para que mais alguém lê um livro, senão para se transformar ?"

"Também quando leio Clarice (Lispector), pensei, tenho esta impressão. Os livros de Clarice são duros de ler. São incômodos e, até, desagradáveis. Suas ficções me submetem, me tiram do sério - me interpretam. Não sou eu que as leio, elas sim me leem, e isso me desnuda. Os livros de Clarice Enervam, esgotam, perturbam."

"Ser capaz de ouvir, e de suportar a presença imprevista do outro, as surpresas que nos oferece, a desarmonia de suas ideias. Chegar de mãos vazias e aceitar o que me dão. Entregar-me, em vez de esperar que o outro se entregue. Desarmar-me, ainda que seja para encontrar o que não desejo encontrar.!

"Nada se assemelha ao contato silencioso e misterioso, mas intenso, que liga o leitor a um livro."

"Houvesse uma sincronia perfeita entre o grande livro e o grande leitor, e só chegaríamos a leituras previsíveis, a releituras, e com isso afundaríamos na repetição. Ficaria de fora, assim, aquilo que a leitura de um grande livro guarda de mais fundamental: o susto."

"A literatura não é só o que se escreve, é também um mergulho interior."

"São esses grandes livros que, lidos, na intimidade e em segredo, vêm deslocar nossas visões de mundo. São eles que abalam nossa sensibilidade, que descortinam novas perspectivas e novas misérias, são eles que nos leem."

"A leitura é um ato silencioso, íntimo e intraduzível."

"A experiência estética é secreta porque é interior; ela é pessoal porque a literatura só toma corpo na mente e nos nervos de cada leitor."

"Para um mesmo leitor, em momentos diferentes, um livro é outro livro. A literatura (a arte) é um terreno instável, movediço, que não suporta medições." 

"A leitura é uma experiência misteriosa, de que participam não só o texto que se lê, mas a imaginação, a memória, a história, a sensibilidade de quem lê."

"Cada um lê com o que tem, lê com o que é, lê como pode. Não existe leitura perfeita, nem completa; muita coisa, mesmo para os leitores treinados, sempre fica de fora. É esse aspecto inesgotável da literatura que lhe confere um caráter mágico."

"Toda leitura é feita de mal entendidos. Isto é, de imagens rocadas, de defeitos, de imprecisões, de suposições."

"Tudo aquilo que julgamos 'entender bem', quer dizer dominar e possuir, está fora do literário. A leitura de um grande livro mexe com o que temos de mais instável e de mais sensível, pois joga com o inacessível e o remoto."

*José Castello in "A literatura na poltrona". Ed. Record.  RJ. 2007

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