segunda-feira, 7 de março de 2016

A palavra mundo*


                               




           Uma poética se anuncia num esboço de captura às múltiplas verdades. Nesse horizonte nem sempre coerente, a pessoa encontra um chão para integrar-se e experienciar suas possibilidades existenciais.   

Ao ser a visão de mundo inseparável da subjetividade que a oferece, as formas da expressividade tentam obter o maior ângulo possível. Nela o teor dos termos agendados denuncia até onde se pode chegar. Um pouco antes dos movimentos de rebeldia, a linguagem, em vias de se ultrapassar, costuma emitir dissonâncias. Uma dessas características é o excesso de equivocidades discursivas, as quais, nem sempre se traduzem ao dicionário conhecido. 

O sentido de ser sem sentido surge como afronta, sedução ou promessa, um endereço existencial para transgredir anterioridades. Ainda quando transcende na direção de alguém, em busca de acolhimento e compreensão, o sujeito se apresenta num contexto determinável. 

A palavra mundo exibe uma predisposição à vida, sua existência começa, se desenvolve e se conclui com ela. Sua voz se confunde com o sujeito que a pronuncia. Assim, ao reconhecer nesse dialeto um espaço de enigmas, desafios, zonas de conforto e contradições, é possível, na cumplicidade do vocabulário, enunciar os contornos dessa fonte. Nesse sentido, parece não haver amanhãs sem esse instante a desalojar outros instantes.

 É comum a associação nalgum endereço_refúgio, onde o desenvolvimento do novo horizonte possa acontecer. Num diálogo da estrutura de pensamento com seu entorno, a palavra mundo existe em tempo próprio. Essa percepção descreve a natureza inteira num único representante. A vastidão circunscrita a um só olhar aprecia multiplicar-se no imenso espelho diante de si. Nesse cotidiano impregnado de originais pode se cogitar: o que se refugia naquilo que se revela ? 

               *Hélio Strassburger
                Filósofo Clínico

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