domingo, 20 de março de 2016

Fragmentos Filosóficos, Delirantes*



"Tornar imprevisível a palavra não será uma aprendizagem de liberdade ? Que encanto a imaginação poética encontra em zombar das censuras!"

"Com a poesia a imaginação coloca-se na margem em que precisamente a função do irreal vem arrebatar ou inquietar - sempre despertar - o ser adormecido nos seus automatismos."

"Pelos poemas, talvez mais que pelas lembranças, chegamos ao fundo poético do espaço da casa."

"(...) os poetas são nossos mestres. Com que força eles provam que as casas para sempre perdidas vivem em nós!"

"Quando um sonhador reconstrói o mundo a partir de um objeto que ele encanta com seus cuidados, convencemo-nos de que tudo é germe na vida de um poeta."

"Mas o verdadeiro armário não é um móvel cotidiano. Não se abre todos os dias. Da mesma forma a chave, de uma alma que não se entrega, não está na porta."

"Para entrar no âmbito do superlativo, é preciso trocar o positivo pelo imaginário. É preciso escutar os poetas."

"Falta essa pitada de sonho que poderia passar do escritor para o leitor. Para fazer crer, é preciso crer."

"Poderíamos dizer que a imensidão é uma categoria filosófica do devaneio. Sem dúvida, o devaneio alimenta-se de espetáculos variados; mas por uma espécie de inclinação inerente, ele contempla a grandeza. E a contemplação da grandeza determina uma atitude tão especial, um estado de alma tão particular que o devaneio coloca o sonhador fora do mundo próximo, diante de um mundo que traz o signo do infinito."

*Gaston Bachelard in "A poética do Espaço". Ed. Martins Fontes. SP. 2003  

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