quinta-feira, 24 de março de 2016

Fragmentos Filosóficos, Delirantes, Criativos*



"A sensação de que as palavras nem sempre conseguem traduzir as manifestações do espírito não é nova. Mesmo quando se pensa esclarecer adequadamente seus segredos, a natureza logo surge sob nova roupagem. Como se quisesse dizer algo mais, nas contradições a denunciar um só olhar." 

"No mosaico das tentativas para ler as verdades delirantes, se demonstra a escassez das lógicas da tradição. Referencial empobrecido na diversidade dos eventos inclassificáveis ao viver singular."

"As fisionomias da loucura são resultantes das intervenções do alienista, o fiscal da sociedade normal. A farmacologia e seus derivados, ao desqualificar - internando e tratando - a expressividade do louco, deslizam para a reincidência daquilo que finge evitar."

"Novos paradigmas apreciam surgir nas lógicas incompreendidas."

"A pluralidade subjetiva internada em uma só pessoa aprecia o caos para ensaiar releituras existenciais. Mesmo quando inadequada à estrutura dos vislumbres, segue a desvendar instantes em busca de algo para chamar de seu."

"O estado de espírito alterado ou a confusão mental pode ser prefácio às mudanças pessoais. Lucidez absurda no devir da loucura. Ao ser distorção no visar da normalidade e na impossibilidade de realizar significações adequadas, a lógica dos excessos pode descobrir outras verdades."

"O pátio do hospício é um desses lugares onde o extraordinário esboça preferências. Muros, paredes e vigias atualizam a contenção do corpo, para que a alma consiga refúgio em devaneios de transgressão. Institui arranjos de novidade na arte de existir sem razão."

"Qualificar diálogos com a natureza das desestruturas reivindica plasticidade e uma aptidão aprendiz fora do normal. Son incerto aspecto, se trata de transitar por onde a vida acontece, mesmo quando em contrastes com o mundo conhecido."

"O caos precursor pode ser o ponto de partida às resignificações da pessoa. Assim, a estrutura do olhar pode desvendar ou ocultar o milagre da singularidade, nem sempre expresso na forma da lógica formal. Entremeios de enredo para si mesmo, o sujeito peregrino descortina-se para além da alienação diagnóstica."

"Ao observar os sonhos e delírios incessantes, é possível antever uma epistemologia dos excessos. Na diversidade dos desequilíbrios pessoais, outras verdades escapam aos critérios conhecidos."

*Hélio Strassburger in "Filosofia Clínica - Diálogos com a lógica dos excessos". Ed. E-papers. RJ. 2009. 

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