sexta-feira, 11 de março de 2016

Procurando me encontrar...*


 A vida nos faz criar diversas expectativas em relação a nós e em relação aos outros, entretanto expectativas são apenas expectativas. O desnudar-se de si, o olhar profundo para o EU que habita em nós, pode trazer verdades nada agradáveis em relação às expectativas criadas por nós mesmos. Tenho sentido os abismos existenciais que há na relação entre meu EU e a expectativa que criei do OUTRO.

Nua tenho me sentido, a cada dor e a cada movimento de autoconhecimento, mas não estou lamentando minha historicidade, pois é a única coisa real que tenho. Lamento deparar-me com os aspectos mais obscuros da minha singularidade, embora saiba que temos dois lados lindos: o apolíneo e o dionisíaco.

Uma polaridade não viveria sem a outra nesse mundo de dualidades e contradições. A dualidade presente a cada modo de pensar nos diversos papéis existenciais que somos obrigados a representar socialmente nos deixa escravos da opinião do outro. Assim é que me parece!!!

Entendo que nem tudo que parece para meu ser existente parecerá para o outro. O universal não é confiável, sei que somos singulares, porém, acredito que muitas singularidades se identifiquem umas com as outras em vários aspectos. Talvez, seja esse um dos motivos pelos quais, ouso expressar em palavras escritas meu mundo particular. Se minhas palavras não forem úteis para agradar ou desagradar o leitor não teria muito sentido, no meu entender, compartilhá-las.

Meu olhar está sempre em busca de um entendimento do sentido real para o existir. Mesmo que não haja nenhum sentido real. O discurso da lógica delirante tem se apresentado como uma nova forma de reinterpretar minha visão cartesiana, diversas outras possibilidades aparecem diante de minha singularidade quando reflito sobre essa forma de expressão: a lógica delirante. Muito ainda preciso conhecer sobre essa lógica, que apesar de sempre ter habitado nosso convívio social, ainda não tinha sido conhecida de maneira tão clara para meu mundo.

Nua, continuo caminhando para um encontro comigo. Enquanto caminho por essa estrada longa vou realizando minha vida da forma menos dolorida possível. Utilizo meus medicamentos para a alma. Danço a alegria, a tristeza, o amor e a dor. Movimento meu ser diante de mim e do outro. Leio compulsivamente tudo o que possa acrescentar esse encontro tão esperado. E, em fragmentos, vou reconstruindo minha verdadeira singularidade, que se perdeu ao longo de diversos agendamentos.
Nem sempre estou pronta para me defrontar no espelho, a nudez me assusta. Contudo tento continuar me despindo cada vez mais, para quem sabe, um dia, enxergar minha alma!!!

*Vanessa Ribeiro
Professora, dançarina, atriz, filósofa clínica
Petrópolis/RJ

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