segunda-feira, 11 de abril de 2016

Fragmentos Filosóficos, Delirantes*



"Fazer o pensamento reverdecer. Tratar de reanimá-lo, com constância, e também com audácia, mantendo o contato com a vida. O que leva a relativizar a ciência. A fazer com que ela não se leve a sério. Pois a ciência não deixa de ser ciência a partir do momento em que se torna uma regra dogmática que não podemos transgredir ?"

"O corpo social é um metabolismo vivo. E, como tal, tem variações, ritmos específicos, múltiplas acentuações."

"Do fervilhar existencial às diferentes audácias científicas, o que está em jogo é uma mutação de grande envergadura. Para retomar um lugar-comum do debate intelectual, trata-se efetivamente de uma revolução epistemológica."

"É instrutivo observar que, além da 'língua oficial', a do pensamento conforme, existe uma multiplicação de idiomas, discursos tipicamente tribais, enraizados nas práticas cotidianas, de qualquer ordem que sejam: musicais, esportivas, sexuais, culturais e até políticas ou mesmo intelectuais."

"Parece que o verdadeiro conhecimento científico, assim como o saber experimental, sem esquecer a experiência empírica, tudo isso deixa claro que o ser consiste em relação."

"Pluralidade dos mundos em si mesmo: o dos jogos de máscaras, das identificações múltiplas. "Eu' é sempre um outro. Está sempre em outro lugar. Nômade por essência. Pluralidade dos mundos no espaço social, o do policulturalismo, do politeísmo dos valores, Em suma, um relativismo absoluto."

"A escolástica tem medo da vida. E toma a si a missão de inculcar por todos os meios esse temor."

"O imaginário societal tem uma autonomia específica. É móvel, fugidio, polimorfo, mas não menos eficaz. E somente um politeísmo epistemológico pode levar a entender o advento das figuras em torno das quais se estrutura a ligação social."

"Claro, não é nenhuma novidade, mas, como em outros períodos de mutação, continuamos a analisar ou julgar os fatos sociais com critérios de outras épocas."

"(...) a pessoa plural, à imagem de suas múltiplas identificações, tem 'sinceridades sucessivas' e verdades provisórias."

"Quando se institucionaliza, a ciência torna-se dogmática e precisa ser sacudida para recuperar o dinamismo original e de origem."

*Michel Maffesoli in "O ritmo da vida. Variações sobre o imaginário pós-moderno". Ed. Record. RJ. 2007

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