quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Fragmentos Filosóficos, Delirantes*


"Os resultados da investigação de homens que despertam só tocam a despertos. O método é revolucionário: em lugar do passado, o presente, investigação em lugar de cantos conclusivos, tarefa em andamento de que se ignora o fim."

"O filósofo, como os heróis legendários, afronta as portas vedadas aos viventes."

"Heráclito suspeita do que se expõe à observação. Prefere as sombras, porque é aí que a vida se esconde."

"(...) A noite sustenta o dia na contradição."

"Há sabedoria em conviver com o raio. Apanhar o momento único em que o raio luz: uma ideia, um som, momento que não se repete nunca mais, capaz de gerar ideias e palavras e sons."

"A poesia só germina nos golpes que afrontam a inércia e abrem caminho ao desconhecido."

"Heráclito vê, entretanto, na linha traçada sobre a curvatura do vaso, a convergência dos contrários, pois aí a linha reta se dobra."

"Na procura de si mesmo emerge um tempo não registrado em calendários, não medido pelo movimento do sol ou dos astros, tempo que se percebe longo ou breve na passagem, tempo de que se desconhece o fim. Indefinido e obscuro como as previsões dos videntes, fundamenta as decisões que movimentam os passos para o que ainda não é. Quem se põe a caminho se desprende da tradição cristalizada, em que todos os passos já foram previstos, em que escolhas são obstruídas pelo destino. Quem se busca se faz e se desfaz na busca. Não é coisa entre coisas."

"A presença do caos impede que o mundo se imobilize. O mundo não é só uma coleção de coisas, é também o arranjo das coisas, tocadas pelos projetos dos que nele habitam. O mundo está e não está pronto."

*Donaldo Schuler in "Heráclito e seu (dis)curso" Ed. L&PM pocket. Porto Alegre/RS. 2000  

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