quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Aprender a sentir*


Um dia percebemos e aprendemos a captar essa linguagem que se forjou através da comoção de impulsos de pulsos de amor que pouco a pouco, passo a passo, persistiram demais e ainda persistem materializando fonemas que se somam até compor glórias de sensações que passam a fazer sentido pela descoberta.

E esse fenômeno está sempre em construção, sempre inacabado e por alguma razão transcende qualquer razão. Essa linguagem nos toca nos conecta um a um, pouco a pouco na direção de singularidades fundamentais e infinitas.

De algum modo, há um propósito ordinário por ser comum, mas também, extraordinário por depender de cada um de nós a partir do nosso próprio jeito de criar e de mudar as coisas ungidos pela vontade de saber e fazer.

Podemos tanto mesmo quando permeados pelas sombras que tentam nos fazer esquecer, sobretudo, de nós mesmos. E ainda que incompreensões persistam quando limitadas apenas aos muros da razão, saberes como a historiografia dita oficial, a sociologia dita ocidental ou a antropologia dita moderna fatalmente se perdem em labirintos de contradições e vaidades que porventura somente a poesia pode dar conta.

É preciso aprender a sentir para muito além de pensar, é preciso considerar outros saberes e outros fazeres. Enfim, talvez seja por isso que a poesia persista e prevaleça revelando-nos que ela jamais morrerá. Musa!

*Prof. Dr. Pablo Eugenio Mendes
Filósofo. Educador. Filósofo Clínico.
Uberlândia/MG-Porto Alegre/RS

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