terça-feira, 15 de novembro de 2016

Fragmentos Filosóficos, Delirantes*


"Para os alunos, ele era um anarquista - vivaz, excêntrico, profano"

"Sua mente era um fluxo só, a cabeça cheia de ideias discordantes, que se cristalizavam em belas sequências de prosa, que subiam do pântano às alturas do ascetismo"

"Escrevia os contos que se tornariam Dubliners, luminosas imagens da cidade que professava odiar, mas que apesar disso estão impregnadas de ternura pelas criaturas perdidas 'excluídas do festim da vida'"

"Durante toda a vida foi um leitor voraz. Lia livros, panfletos, manuais, guias de ruas, tudo e qualquer coisa para alimentar seus gostos ecléticos e sua sede de saber" 

"Joyce recorreu em vão aos amigos literários. Thomas Kettle leu os contos e disse que eles fariam mal à Irlanda. A cada dia que passava, intensificavam-se os escrúpulos e objeções"

"Dois anos depois, o editor original (...) decidiu publicar Dubliners. As críticas foram mornas, o material julgado medíocre e mórbido, o autor acusado de tratar de temas não normalmente ventilados"

"(...) nos pensamentos, como nas obras, tudo nele era complexo e paradoxal"

"Como grande artista, Joyce tinha ideias radicais e mutáveis sobre tudo"

(...) ele tinha de experimentar tudo para escrevê-lo. Não era só isso. Ia espantar seus leitores. Ia levá-los a um pico de consciência a que não haviam chegado antes. (...) Iria abrir fronteiras desconhecidas"

"Um americano, o Dr. Joseph Collins, que conhecera Joyce por intermédio de um amigo comum, disse que tinha em seus arquivos textos de loucos com a mesma qualidade, e dava em seguida uma explicação médica da deterioração do cérebro dele"

"Ele fazia novos amigos e perdia velhos"

"Seu exílio era tão completo dentro de si mesmo"

"Joyce sempre punha os amigos, e sobretudo os errantes em sua obra"

"(...) sabia que a loucura era o segredo dos gênios"

"Preferia a palavra 'exaltação', que pode fundir-se na loucura. Todos os grandes homens tinham esse traço. O homem sensato, insistia, não realiza nada"

"A vitória material era a morte da ascendência espiritual"

*Edna O'Brien in "James Joyce". Ed. Objetiva. RJ. 2001  

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