domingo, 20 de novembro de 2016

Fragmentos Filosóficos, Delirantes*


"(...) sempre existem, entre as dualidades universais, entre as pluralidades, o mundo da razão e o que é alheio a este"

"É que o meu mundo não é o mundo de vocês (...). De forma que eu não conheço o mundo de vocês e vocês não conhecem o meu"

"O que é a vida senão uma recordação de bundas e bocetas em que a gente penetrou ?" 

"Penso que em outros tempos eu vivia num mundo mais semelhante ao de vocês, refiro-me ao mundo da razão, mas as coisas se tornaram cada vez mais insustentáveis e comecei a deixar a casa daquele mundo e a retirar-me para esta"

"Ora, pelo amor de Deus, Moise, sou eu que me traio para todo mundo, ninguém se trai para mim nem é traído por mim"

"O mundo da razão deixou de ser sustentável para mim (...) usei todas as minhas tintas até esgotá-las"

"Suponho que seja simplesmente e inevitavelmente humano atribuir todas as deserções da pessoa amada a alguma influência diversa daquilo que é a causa mais comum, a saber, a nossa própria insuficiência em face dos seus requisitos no que diz respeito a um amante"

"Desde que deixei minha casa, ainda na adolescência, tenho levado uma vida de nômade, por assim dizer, como se tivesse perdido em alguma parte uma coisa de vital importância para mim e andasse à procura dela"

"Há certas frases que um ilustre escritor fracassado deve envergonhar-se de completar, como quem conta um segredo"

"Eis aí uma frase incompleta, mas de que outra coisa é feita a vida ?"

*Tennessee Williams in "Moise e o mundo da razão". Ed. Círculo do livro. SP. 1975. 

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