terça-feira, 29 de novembro de 2016

Fragmentos Filosóficos, Delirantes*


"Nas horas de grandes achados, uma imagem poética pode ser o germe de um mundo, o germe de um universo imaginado diante do devaneio de um poeta. A consciência de maravilhamento diante desse mundo criado pelo poeta abre-se com toda ingenuidade"

"(...) O sonhador escuta já os sons da palavra escrita. Um autor, não lembro quem, dizia que o bico da pena era um órgão do cérebro"

"Ainda existem almas para as quais o amor é o contato de duas poesias, a fusão de dois devaneios"

"(...) como pode um homem, apesar da vida, tornar-se poeta ?"

"O cientista continua. O alquimista recomeça. Assim, referências objetivas a purificações da matéria nada nos podem ensinar a respeito dos devaneios de pureza que dão ao alquimista a paciência de recomeçar"

"(...) o devaneio, transportando o sonhador para outro mundo, faz do sonhador alguém diferente dele mesmo (...)"

"Ver e mostrar estão fenomenologicamente em violenta antítese"

"A flor nascida do devaneio poético é então o próprio ser do sonhador, seu ser florescente"

"Que importam para nós, filósofo do sonho, os desmentidos do homem que reencontra, após o sonho, os objetos e os homens ? O devaneio foi um estado real, em que pesem as ilusões denunciadas depois. E estou certo de que fui eu o sonhador. Eu estava lá quando todas essas coisas lindas estavam presentes no meu devaneio. (...) A expressão poética adquirida no devaneio aumenta a riqueza da língua"

"Os poetas, em seus devaneios cósmicos, falam do mundo em palavras primeiras, em imagens primeiras. Falam do mundo na linguagem do mundo. As palavras, as belas palavras, as grandes palavras naturais, acreditam na imagem que as criou"

*Gaston Bachelard in "A poética do devaneio". Ed. Martins Fontes. SP. 2001  

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