quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Apontamentos de lógica superlativa*


Existe um mundo exageradamente singular. O lugar constitui-se de eventos descritos num vocabulário de exuberâncias. Uma estrutura onde tudo se agiganta diante das expressões de êxtase. Sua sobrevida se alimenta de anúncios nos eventos realçados. Seu teor fantástico traduz rumores de imensidão. Seu ser extraordinário transborda numa perspectiva exaltada.

Nas entrelinhas do discurso bem ajustado essa lógica dos excessos busca emancipar-se. Um devir assim aprecia o refúgio numa dialética dos sobressaltos. Ao sujeito constituído nalguma esteticidade, não é raro seu meio prescrever tipologias. 

Ao surgir em intensidade máxima contrapõe-se a rotina mediana. Seu dizer superlativo emancipa o cotidiano para engendrar sonhos. Os relatos dessa linguagem sugere um brilho incomparável ao seu autor. Desdobrando-se para além dos territórios reconhecidos, modifica o lugar_espaço_tempo ao seu redor.  

Uma fonte inesgotável de paixões renova suas armadilhas existenciais. Assim, caminhar pelas calçadas é sempre mais que caminhar pelas calçadas. Tomar um banho, ler um livro, conversar com amigos ou apreciar um café significa sempre algo mais. Nesse sentido sua melhor contradição é a noção de equilíbrio.    

A fartura de seu vocabulário denuncia uma subjetividade exaltada. Avista e emancipa horizontes maravilhosos, atreve-se a vislumbrar o que ninguém via antes de si. Ao que se tinha como dado e cristalizado, sua distorção oferece uma visão diferenciada. Seu caráter misto de religioso e profano convive e se abastece das sagradas heresias. Talvez por isso sua evidência seja tão ameaçadora! Ao rascunhar pressentimentos atua na desconstrução das paredes, insinua ampliar fronteiras. 

Um ser incomparável se associa na abundância dos eventos exóticos. Abalar menos vida com mais vida é seu papel existencial preferido. Um transbordamento discursivo compartilha-se nas janelas escancaradas de si mesmo. Ao sustentar utopias desconsideradas sua natureza se expressa em lógica superlativa. 

*Hélio Strassburger                                                         

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