segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Fragmentos Filosóficos, Delirantes*


"Eu escrevo como se fosse para salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha própria vida. Viver é uma espécie de loucura que a morte faz. Vivam os mortos porque neles vivemos"

"(...) Ângela não sabe que é personagem. Aliás, eu também talvez seja o personagem de mim mesmo. (...) quanto a mim, sinto de vez em quando que sou o personagem de alguém"

"(...) a poeira é filha das coisas"

"Refugio-me nas rosas, nas palavras"

"Sou como estrangeiro em qualquer parte do mundo. Eu sou do nunca"

"Qualquer um pode sonhar acordado se não mantiver acesa demais a consciência"

"Nunca vi uma coisa mais solitária do que ter uma ideia original e nova. Não se é apoiado por ninguém e mal se acredita em si mesmo. Quanto mais nova a sensação-ideia, mais perto se parece estar da solidão da loucura"

"Eu, alquimista de mim mesmo. Sou um homem que se devora ? Não, é que vivo em eterna mutação, com novas adaptações a meu renovado viver e nunca chego ao fim de cada um dos modos de existir. Vivo de esboços não acabados e vacilantes. Mas equilibro-me como posso entre mim e eu, entre mim e os homens, entre mim e o Deus"

"E se eu falar, que eu me permita ser descontínuo: não tenho compromisso comigo. Eu vou me acumulando, me acumulando, me acumulando - até que não caibo em mim e estouro em palavras"

"Quero me reinaugurar. E para isso tenho de abdicar de toda a minha obra e começar humildemente, sem endeusamento, de um começo em que não haja resquícios de qualquer hábito, cacoetes ou habilidades"

*Clarice Lispector in "Um sopro de vida". Ed. Rocco. RJ. 1999

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