segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Fragmentos Filosóficos, Delirantes*


"A obra de Thomas Mann situa-se na categoria muito rara (...). Tais obras comovem-nos à quinta leitura, por motivos diferentes daqueles que nos fizeram amá-las à primeira, ou até opostos a eles"

"(...) busca de uma sabedoria mágica cujos segredos cochichados ou subentendidos flutuam entre as linhas, destinados, ao que parece, a permanecer voluntariamente o mais despercebidos possível"

"A Montanha Mágica é a descrição bastante precisa de um sanatório na Suíça alemã, por volta de 1912"

"(...) para esse analista das mutações e da passagem, o presente não tem um lugar privilegiado na sequência dos séculos; todos os tempos, inclusive aquele em que estamos, flutuam igualmente à superfície do tempo"

"Parece que Mann nunca conseguiu eliminar totalmente de sua consciência, e ainda menos do inconsciente, um vestígio de timidez burguesa ou de reprovação puritana perante essa aventura do espírito a caminho de si mesmo"

"A Montanha Mágica tem como ápice, senão como centro, um mito dentro de um mito, um momento em que o personagem em estado de sonho ou de sonho desperto vê a realidade frente a frente"

"A vontade de aprender a viver, a concordância do indivíduo com o ritmo da própria vida, tão importante em 'A Montanha Mágica', desapareceram sinistramente desta obra (Doutor Fausto) em que o herói se realiza por meio de uma lenta autodestruição, e durante uma espécie total de encarceramento em si. Hans Castorp, trancado no seu quarto no sanatório, já oferecia um exemplo de uma reclusão desse tipo, mas as janelas de Hans davam para o universo, as de Leverkuhn, para um estranho nada"

*Yourcenar, Marguerite. "Notas à margem do tempo". Ed. Nova Fronteira. RJ. 1988.

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