sábado, 21 de janeiro de 2017

Fragmentos Filosóficos, Delirantes*



"Um poema não tem moral; a obra de arte não tem moral. Não ensina qualquer lição específica, nem dá qualquer conselho específico. Em um poema há muitas implicações que enriquecem nossa experiência da vida: mas essa experiência tem vários lados e não se espera que precisemos escolher um deles. A natureza da arte é ilustrada por Dylan Thomas, ao confrontar dois aspectos da natureza, ou por Robert Frost, com um sentido de humor macabro, simulando ensinar uma lição que não quer que aprendamos. Trata-se de explorar as alternativas da ação humana sem chegar a uma decisão sobre elas. Nessa indecisão, feliz e repleta de tensões, e somente nisso, a obra de arte difere profundamente da obra científica"

"O mesmo poema é lido por várias pessoas, e cada uma delas faz dele o 'seu' poema. Assim funciona a imaginação: cada um precisa reimaginar por si mesmo. Dylan Thomas foi o primeiro a imaginar esse poema, ao criá-lo. No entanto, quem quiser compreendê-lo terá que recriá-lo outra vez para si"  

"Essa ideia é estranha, mas fundamental. Não há obra de arte autêntica que dispense a nossa contribuição. Será sempre preciso recriá-la: ela não pode ser apresentada já pronta"

"Na verdade, há muitas razões para dizer que o poder de manipular imagens em situações hipotéticas é uma forma de magia"

"A obra de arte, ao contrário, é essencialmente uma proposição incompleta, que nos é apresentada para que com ela possamos construir nossa própria generalização"

"E depois de ler essa passagem de Gertrude Stein, estilisticamente estranha (como A Rose is a Rose, is a Rose) {Uma rosa é uma rosa, é uma rosa}, ela de repente nos faz perceber que os problemas que a preocupavam só podiam ser expressos daquela forma"

"(...) a história é feita por fanáticos. As pessoas de mentalidade aberta e generosa fazem ciência, poesia ou outra arte produzida pela imaginação. Mas é preciso decidir: quem quer fazer história deve ser como Stalin e Hitler"  

"(...) lembrando Dylan Thomas: 'E não sei como dizer à tempestade                                                   que nas estrelas o tempo criou um paraíso'. (...) Envelhecemos, a vida e o tempo matam-nos um pouco com cada experiência"  

*Jacob Bronowski in "O olho visionário". Editora da UNB. Brasília/DF. 1998.

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