terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Fragmentos Filosóficos, Delirantes*


"O conteúdo do espírito se revela tão somente na sua manifestação; a forma ideal é reconhecida somente na e pela totalidade dos signos sensoriais dos quais se serve para expressar-se"

"(..) o processo da formação da linguagem mostra como, para nós, o caos das impressões imediatas somente passa a se aclarar e articular no momento em que lhe 'damos nome', permeando-o, assim, com a função do pensamento linguístico e da expressão linguística"

"Porque cada 'reprodução' do conteúdo já encerra um novo estágio da 'reflexão'"

"(...) cada particularidade faz parte de um determinado complexo e expressa em si mesma a regra deste complexo"

"A concepção mítica da linguagem, que em toda parte precede a filosófica, caracteriza-se sempre por esta indiferença entre palavra e coisa. Para ela, a essência de cada coisa está contida no seu nome. Efeitos mágicos se vinculam de maneira mediata à palavra e à sua posse"

"A obra de um verdadeiro poeta é e sempre será intraduzível"

"Mas estes conceitos somente podem cumprir a tarefa que lhes cabe porque se mantêm, de acordo com a sua estrutura geral, em uma região média ideal e própria, e porque eles, precisamente por sua aderência à forma da expressão sensível, progressivamente conferem ao sensível um conteúdo espiritual e o transformam em um símbolo do espiritual"

"Se o caminho percorrido pela linguagem é, portanto, o caminho que conduz à determinação, pode-se presumir que esta haverá de surgir e se configurar progressiva e continuamente a partir de um estágio de relativa indeterminação"

"(...) confirma-se aqui o mesmo princípio dialético do progresso: quanto mais profundamente a linguagem, no seu desenvolvimento, parece imersa na expressão das coisas sensíveis, tanto mais ela se torna, assim, o meio que permite o processo da libertação espiritual das próprias coisas sensíveis"

*  Ernst Cassirer in "A filosofia das formas simbólicas" Ed. Martins Fontes. SP. 2001.

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