sexta-feira, 17 de março de 2017

A palavra mágica*


“Vive a tua hora como se gravasses o teu nome na epiderme de um tronco novo. Mas não voltes mais tarde para junto dessa árvore, porque podes não reconhecer o teu nome nas cicatrizes das velhas letras.”
                                Felippe D’Oliveira

Sua tez de singularidade maldita refere uma simbologia em viés de encantamento. Na veemência discursiva compartilha uma fatia generosa de paraíso. O sagrado_profano esboça uma íntima convivência com a reciprocidade. Os significados apreciam aliar-se aos papéis existenciais de travessia. Assim o feitiço da palavra como medicamento aprecia as estruturas mutantes envolvidas na interseção. 

Ao sugerir a cidade das maravilhas, é possível um novo entendimento e relação com o universo interior. Sua fonte de inspiração, muitas vezes, se faz menção em dialetos de esquiva. A magia, um pouco antes de ser representação traduzível, aprecia transbordar nalguma forma de excesso.

Uma fenomenologia em aromas de dama da noite aponta o lugar renascimento de todo lugar. O discurso assim descrito considera um artesão em meio a raridades, sua arte de acessar e esculpir subjetividades convida aos eventos de simplicidade complexa. Um ser se lança em busca de antigas promessas, seu compêndio de páginas por vir acolhe originalidades à margem do instante. 
      
O vocabulário possui raízes na historicidade da pessoa, muitas vezes refém de prescrições a considerar irrealizáveis seus projetos. Nessa ótica de contra ideologia os termos agendados, quando substituídos, podem oferecer códigos de libertação. Numa contemplação indefinível das ideias e sensações, se encontra um cogitar de amanhãs. Um esboço, ainda tímido, revela possibilidades em processo. Vislumbre de outras linguagens a percorrer os subúrbios de si mesmo.

Ao andarilho que se sabe andarilho, encontra um abrigo eficaz na sua pronúncia. Seu aspecto de ser errante é cúmplice desses momentos, onde razão e desrazão deixam de ser para devir. Em seus relatos de magia, uma mescla de fantasia e realidade reescreve as contradições em possibilidades. Sua natureza grávida de originais reflete os nomes da singularidade.

Assim o sujeito rascunha-se em busca de alguma edição para sua utopia em processo. A trama delirante anuncia pluralidades pela alma inadequada. Na concepção e uso da palavra exilada destitui-se sua condição de refém das circunstâncias, nela se apresentam ensaios aos novos horizontes, ingredientes, até então, refugiados nalguma espécie de devaneio ou loucura. 

*Hélio Strassburger
Filósofo Clínico e Professor

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