domingo, 5 de março de 2017

As mulheres e as cidades*


Penso nas cidades como mulheres
com seus becos e ruelas sinuosas
cantinhos onde descansar.
Os suspiros de Marília de Dirceu em Ouro Preto,
águas em calda em Araxá e Rio Quente,
areias perdidas para o mar em Fortaleza,
construções também arrancadas em Atafona;
as que se erigem em torno do córrego nascedouro, como Sacramento,
estrada acarinhando as curvas do rio Doce até Valadares,
tanta pedra em Delfinópolis
até a Serra da Canastra virar poeira em Medeiros,
as trilhas para as cachoeiras, veias da terra, em Pirenópolis,
Campinas dando os braços a São Paulo,
os mandacarus de Caicó,
e minha querida Carnaúba, de todos os Dantas.

*Vânia Dantas
Filósofa Clínica
Uberlândia/MG

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