terça-feira, 28 de março de 2017

Fragmentos Filosóficos, Delirantes*


"(...) o labirinto é evidente símbolo de perplexidade e a perplexidade fora uma das emoções mais comuns da sua vida, a reação diante de muitos atos e decisões que lhe pareciam inexplicáveis"

"Meu primeiro conhecimento das coisas veio sempre dos livros, antes que do contato real com elas"

"(...) Outra aquisição dos últimos anos de ensino médio genebrino foi Schopenhauer, de quem admirou O mundo como vontade e representação. Sempre achou que, se fosse possível expressar o universo em palavras e pudesse algum livro servir de plano, tal livro seria o de Schopenhauer"   

"Apaixonava-o a mitologia sensual do submundo"

"(...) apaixonou-o uma Buenos Aires que logo deixaria de existir, relegada ao esquecimento pelo progresso. E Borges, deslumbrado, saiu a descobrir a cidade"

"Desejava fazer poemas essenciais, para além do aqui e agora, livres de cor local e das circunstâncias cotidianas"

"As ruas de Buenos Aires - são-me já as entranhas da alma"

"(...) o poeta volta a uma constante em sua poesia e em sua prosa: o mundo real é ilusório; o verdadeiro é o outro, o dos sonhos, o que aparece nos espelhos"

"Borges que se obstinou em buscar as memórias primeiras, conquanto, em verdade, a depressiva 'imemória' paterna o tivesse instalado para sempre num mundo em que a realidade e a ficção não se distinguem; mundo de dupla participação e interação do real e irreal"

"Em 'A biblioteca de babel' estão presentes dois autores muito caros a Borges: Gustav Meyrink e Kafka; ambos se regozijam em manipular absurdos" 

*María Eshter Vázquez in "Jorge Luis Borges - Esplendor e derrota. Uma biografia". Ed. Record. RJ. 1999.

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