terça-feira, 18 de abril de 2017

Aceite críticas: notas sobre minha tese e o Facebook*


Pouco depois de defender minha tese de doutorado e ver alguns debates enraivecidos no Facebook, acabei refletindo sobre algumas coisas e, na medida em que as ideias surgiram, escrevi postagens avulsas sobre a dificuldade de algumas pessoas de serem criticadas. Dessas postagens, três acabaram se tornando a reflexão que segue, com ligeiras alterações para dar uniformidade ao raciocínio.

A experiência de defender minha tese foi, antes de tudo, um exercício de humildade. Por mais que eu aconselhe os meus colegas a ficarem confiantes, uma vez que a maior autoridade no trabalho de pesquisa que fazemos somos nós mesmos, isso não isenta o trabalho de erros que podem ser encontrados pelos avaliadores. 

Eles provavelmente não leram tudo o que você leu, na ordem em que leu e com a perspectiva que você interpretou para escrever seu trabalho. Mas eles são os primeiros – em muitos casos, os únicos – receptores de seu trabalho e alguns dos mais atentos que o lerão. Desde sua monografia da graduação até a tese de doutoramento, a avaliação é um modo de você reconhecer que seu trabalho é passível de falhas. Não interessa se seus avaliadores são doutores no mesmo assunto que você aborda ou leitores interessados e pouco versados no seu tema. O que importa é colocar seu trabalho à prova.

A crítica não deveria ser vista como uma ameaça. Seja de quem é superior em conhecimentos, seja de quem possui menos ciência, toda crítica deveria ser avaliada. Aquele que sabe mais do que você pode ter visto inconsistências em suas ideias. Mas, também pode ter compreendido mal sua exposição. Aquele que sabe menos, pode ter percebido algo que nem você se deu conta. Ou até pode lhe mostrar algo em que você falhou na hora de explicar, dando margem para ambiguidades. Esbravejar diante de críticas sem ponderação prévia, não resolve nada. Não esclarece o ignorante, nem convence o sábio.

Por fim, reclamar que não entenderam o que você escreveu é até compreensível. Muitos não interpretam bem mesmo. Mas, é possível também que o erro esteja em sua escrita. Quanto mais seu texto se encontra repleto de subentendidos ou até erros gramaticais, mais difícil será para o leitor compreender o que você escreveu. Taxar todos de ignorantes ou analfabetos funcionais pode configurar apenas a soberba de quem se acha superior aos outros e infalível no domínio da expressão escrita.

*Prof. Dr. Miguel Angelo Caruzo
Filósofo. Educador. Filósofo Clínico.
Teresópolis/RJ

Nenhum comentário:

Postar um comentário