quinta-feira, 25 de maio de 2017

A involução formativa do medievo aos nossos dias*









No tempo das universidades medievais, um jovem iniciava sua vida de estudos aos quatorze anos e um título de doutor em teologia era obtido somente a partir dos trinta e cinco anos. A base inicial dos estudos era o “trivium” – gramática, retórica e dialética – e, em seguida, o “quadrivium” – aritmética, geometria, música e astronomia – e de lá saíram grandes pensadores como Tomás de Aquino, Duns Scot, Alberto Magno, Pedro Abelardo e tantos outros. Hoje se entra cada vez mais cedo nas escolas e universidades, se adquire cada vez mais precocemente os títulos de mestrado e doutorado e o resultado das pesquisas sobre esse “fantástico mundo regido pelo MEC” é o número crescente de analfabetos funcionais, até entre nós universitários.
Outro aspecto a ser destacado é que na Idade Média, a formação era para a vida e não havia “pressa” de concluí-la. Mas, hoje, no “auge do desenvolvimento”, no “século XXI”, na era “pós-moderna” etc., ai daquele que não é enviado à escola com, no máximo, sete anos. Com as chances de viver até os setenta, o sujeito deve estar “pronto” para enfrentar o mundo aos vinte. Enfrentamento que não mais se dá com a busca da plenitude da humanização, mas com a capacidade de servir com mais qualidade ao mercado de trabalho.
Em suma, a formação integral humana – que se encontra desde as escolas de Platão e Aristóteles às universidades medievais – paulatinamente deu lugar à preparação de autômatos na chamada modernidade que, paradoxalmente, são convidados a serem criativos, dinâmicos, bem informados, isto é, humanos. Alguém formado em uma universidade medieval era convidado a assimilar na própria vida o conhecimento adquirido; tratava-se de educação para a virtude, o que também era base da formação grega desde Sócrates. Hoje a formação é para o “bem fazer” o trabalho que lhe cabe para gerar lucros. Parece-me que o ser por meio do tornar-se, deu lugar ao fazer para ter.
*Prof. Dr. Miguel Angelo Caruzo
Filósofo. Escritor. Filósofo Clínico.
Teresópolis/RJ

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