domingo, 21 de maio de 2017

Cabelos de Baudelaire*











Certas cores, cabelos que esvoaçam no tempo,
mistura cheiros e sons, açafrão no tilintar do outono,
Tinta que borda a pele, marca a alma, o frio se aproxima.

Ilumina partes do corpo, o tom certo, é como a luz,
Atravessa fendas, melodias espalham, clarão que dança,
Como melodia na luz assombradas de pensamento. 

Dedico meu tempo a teus cabelos, a poética imortal,
Mesmo que não crês no Nada, a cabeleira brilha,
O tempo não apaga os versos, o tempo esquece o presente.

Como o barco de Debussy, eleva a dor diante da música,
Em perdidas matemática antes do sol do meio-dia,
Fios voam mar dentro de luz, fonte da vida, os cabelos em direção à margem,
Morre no horizonte o que oculta. 

*Prof. Dr.Luis Antonio Paim Gomes 
Filósofo. Editor. Livre Pensador
Porto Alegre/RS

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