segunda-feira, 19 de junho de 2017

Fragmentos Filosóficos, Delirantes*


"Suponho que haja tantos credos, tantas religiões, quantos são os poetas"

"(...) há duas maneiras de usar a poesia (...) Uma das maneiras é o poeta usar as palavras comuns e de algum modo torná-las incomuns - extrair-lhes a mágica"

"(...) Quando penso em amigos meus tão caros como Dom Quixote, o sr. Pickwick, o sr. Sherlock Holmes, o dr. Watson, Huckleberry Finn, Peer Gynt, etc. (não estou certo se tenho muito mais amigos)

"(...) de súbito a palavra ganha vida"

"(...) imagino que uma nação desenvolve as palavras de que necessita"

"(...) uma língua não é, como somos levados a supor pelo dicionário, a invenção de acadêmicos ou filólogos. Ao contrário, ela foi desenvolvida através do tempo, através de um longo tempo, por camponeses, por pescadores, por caçadores, por cavaleiros. Não veio das bibliotecas; veio dos campos, do mar, dos rios, da noite, da aurora"

"(...) gostaria de dizer que cometemos um erro bastante comum ao pensar que ignoramos algo por sermos incapazes de defini-lo"

"(...) Passamos à poesia; passamos à vida. E a vida, tenho certeza, é feita de poesia. A poesia não é alheia - a poeisa, como veremos, está logo ali, à espreita. Pode saltar sobre nós a qualquer instante"

*Jorge Luis Borges in "Esse ofício do verso". Ed. Companhia das Letras. 2007. SP. 

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