domingo, 25 de junho de 2017

Fragmentos Filosóficos, Delirantes*


"O mundo estava aí fora, cheio de novas informações e sugestões, estranho, imenso, aberto, e me envolvia completamente, me chamava, era tão diferente da segurança do meu quarto com cortinas, do programa de televisão todas as noites, da rotina da faculdade (...) Eu precisava sair desse mundo sufocante, hipócrita e artificial"

"Então tratei de descobrir algo que desse um sentido verdadeiro à minha vida, algo que não fosse tão perecível como a glória de ser jogador de futebol ou médico de ricos (...)"

"Minha tarefa no momento é desaprender. Esquecer tudo que me colocaram na cabeça durante anos a fio. Esquecer até começar a ser, um dia, outra pessoa, melhor. Com outra cultura, outro pensamento, outras crenças, outras razões - mais reais e mais fortes - para viver"

"(...) hoje em dia a gente só encontra pessoas condicionadas pela sociedade em que vivem, compreende ? Pessoas que vivem segundo os moldes que fabricam para que vivam. Conformistas. E desse modo só compram calça Lee ou tênis Adidas ou sei lá que mais. Conformistas"

"Permaneceu sentado três horas, imóvel, olhando a água morder os degraus carcomidos e musgosos. Quando levantou-se e voltou para o tráfego da avenida carregava os olhos cheios da água movediça, oleosa e viva do rio; sabia que seus olhos já se aproximavam da profunda água parada que habitava os olhos de Mariana"

"Era - intuía mais que sabia - a última vez que contemplava a cidade com seus antigos olhos. Estava em gestação silenciosa e dolorida dentro de si uma outra maneira de ver - e essa maneira nova trazia muito da maneira de ver de Mariana"

*Tabajara Ruas in "A região submersa". Ed. Mercado Aberto. 1994. Porto Alegre/RS.

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