terça-feira, 27 de junho de 2017

Fragmentos Filosóficos, Delirantes*


"(...) a dialética corre o risco de abrir um mundo que todos estão tomando o cuidado de fechar sobre suas igualdades; na medida em que ela é uma técnica de transformação, opõe-se à estrutura enumerativa da propriedade, escapa para fora dos limites pequeno-burgueses (...)"

"O bom senso é como o cão de guarda das equações pequeno-burguesas: ele tapa todas as saídas dialéticas, define um mundo homogêneo, no qual nos sentimos em casa, protegidos dos problemas e dos escapes do 'sonho' (entendam: de uma visão não contabilizável das coisas)"

"(...) a arte morre por excesso de intelectualidade, a inteligência não é uma qualidade de artista, os criadores poderosos são empíricos, a obra de arte escapa ao sistema, em suma, o cerebralismo é estéril"

"A Literatura, no entanto, só começa perante o indizível, em face da percepção de um algures estranho à própria linguagem que o procura. É essa dúvida criadora, essa morte fecunda, que a nsosa sociedade condena na sua boa Literatura e que ela exorciza na má"

"A fala do oprimido é real, como a do lenhador, é uma 'fala' transitiva: quase impotente para mentir; a mentira é uma riqueza, pois supõe posses, verdades, formas de substituição(...)"

"Sabemos, doravante, que o mito é uma fala definida pela sua intenção (sou um exemplo de gramática), muito mais do que pela sua literalidade (eu me chamo leão)"

*Roland Barthes in "Mitologias". Ed. Difel. RJ. 2007.

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