sexta-feira, 7 de julho de 2017

Elegia Simultânea*

“Uma melodia que ouvimos de olhos fechados, pensando apenas nela, está muito perto de coincidir com esse tempo que é a própria fluidez de nossa vida interior...”
Henri Bergson

Todo mês um dia, o ano que se aproxima,
Uma vida distancia-se,
flor explode o coração no ensaio que dos olhos firmes,
espanta solidão, todo mês a mesma via.
Todo ano que chega ao fim, uma dor se aproxima,
uma vida a discorrer, um poema de interlúdio,
todas as notas, todas as músicas, fim do mundo.
Todos os lugares no coração, um ser que viaja,
viver no sol da Andaluzia, frio da Serra da Estrela,
um dia entre o céu e o pensamento, ruas e destino.

Todas as edificações e o Distrito da Guarda, o alto dos morros,
Viver a luz de Lisboa, a ribeira do Porto,
aos trilhos entre Paris e o Mediterrâneo.
Todo o dia a luz a acordar, vê sonhos pintalgados a serpentear extensão do corpo.

O espreguiçar da vida, uma roda de turbante, os passos, entre trens, a nuvem leva a nado o corpo que vive entre águas.
Toda manhã, a sombra desce a montanha,
ao lado de sua companheira, dois passos, um gole, a vida e o rio desce o pouco que pode ainda – Pensamento.

O que não tem espaço em teu heraclitiano lastimoso de lágrimas e música desce correntezas. 
Dois a observar o mundo: passa o tempo, nem a morte os alcança.
Deus do inverno é o mesmo do castigo que incendeia o corpo congelado.
Estão, num outro nível de prazer, disse-me a voz misteriosa –

“Descem o rio - no corpo de um barco criado na ilusão dos mortais, eles afundam, cada dia de minha vida num espelho. A verdade vem das águas.”

*Prof. Dr.Luis Antonio Paim Gomes 
Filósofo. Editor. Livre Pensador.
Porto Alegre/RS

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