domingo, 23 de julho de 2017

Fragmentos Filosóficos, Delirantes*


"Como se visse alguém beber água e descobrisse que tinha sede, sede profunda e velha. Talvez fosse apenas falta de vida: estava vivendo menos do que podia e imaginava que sua sede pedisse inundações."

"(...) encontro a maior serenidade na alucinação"

"Queria saber: depois que se é feliz o que acontece? O que vem depois? - repetiu a menina com obstinação"

"E havia um meio de ter as coisas sem que as coisas a possuíssem?"

"(...) para nascer as coisas precisam ter vida" 

"Já agora nem sabia se vira o céu por si mesma como quem vê o que existe ou se pensara em céu e conseguira inventá-lo"

"(...) a praça de pedra se perdeu entre os gritos com que os carroceiros imitavam os animais para falar com eles"

"(...) a vida que se leva por dentro não é a vida terrena"

"Toda a parte mais inatingível de minha alma e que não me pertence - é aquela que toca na minha  fronteira com o que já não é eu, e à qual me dou. Toda a minha ânsia tem sido esta proximidade inultrapassável e excessivamente próxima. Sou mais aquilo que em mim não é"

"Vivia de coincidências, vivia de linhas que incidiam e se cruzavam e, no cruzamento, formavam um leve e instantâneo ponto, tão leve e instantâneo que era mais feito de segredo"

*Clarice Lispector in "Clarice na cabeceira - Organização de José Castello". Ed. Rocco. RJ. 2011.  

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