quarta-feira, 5 de julho de 2017

Fragmentos Filosóficos, Delirantes*


"(...) um teólogo alemão que, em princípios do século XVII, descreveu a imaginária comunidade da Rosa-Cruz - que outros fundaram mais tarde, à semelhança da que ele preconcebera"

"Todo estado mental é irredutível: o mero fato de nomeá-lo, de classificá-lo, implica um falseamento"

"Os metafísicos de TlOn não buscam a verdade nem sequer a verossimilhança: buscam o assombro. Julgam que a metafísica é um ramo da literatura fantástica"

"A base da geometria visual é a superfície, não o ponto. Esta geometria desconhece as paralelas e declara que o homem que se desloca modifica as formas que o circundam"

"Um livro que não inclua seu contralivro é considerado incompleto"

"Inútil responder que a realidade também é ordenada. Talvez seja, mas de acordo com leis divinas - traduzo: com leis inumanas - que nunca chegamos a perceber inteiramente"

"Pensar, analisar, inventar não são atos anômalos, são a respiração normal da inteligência"

"Conheci o que os gregos ignoram: a incerteza"

"Para perceber a distância que existe entre o divino e o humano, basta comparar estes rudes símbolos trêmulos que minha mão falível rabisca na capa de um livro, com as letras orgânicas do interior: pontuais, delicadas, negríssimas, inimitavelmente simétricas"

"Depois refleti que todas as coisas sempre acontecem precisamente a alguém, precisamente agora. Séculos de séculos e só no presente ocorrem os fatos"

"Logo refletiu que a realidade não costuma coincidir com as previsões; com lógica perversa inferiu que prever um detalhe circunstancial é impedir que este aconteça"

*Jorge Luis Borges in "Ficções". Ed. Cia das Letras. 2007. SP.  

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