domingo, 13 de agosto de 2017

O imaginar das palavras*

“Nós somos o seu mundo e elas o nosso. Para capturar a linguagem não precisamos mais que usá-las. As redes de pescar palavras são feitas de palavras.”
Octavio Paz

O que não nos permite mais nos vermos é o que permite de nós sermos sozinhos, por breve espaço do tempo, onde tudo se evaporou. Hoje ficou um vazio, uma solidão alojada ao lado do corpo inerte.

A tortuosa solidão está aí, na tela, no espaço entre os minutos que não lembraremos nunca mais e o que não permitirá que eu vá mais além, mas mesmo assim, mesmo, existe um processo de memória recente, algo que tange o lado sensível da reflexão. 

E os outros sentidos? O espaço imaginal, lugar em que tecemos nossos sonhos, e de lá tratamos de registrar, esse espaço que é o lugar do momento mútuo de ainda existir a possibilidade dos encontros.

Como se eu sentisse algo por alguém no plano virtual, mas que a idéia, numa construção, acaba dando espaço para a memória reconstituir todos os dias essa idéia.

Prof. Dr. Luis Antonio Paim Gomes
Filósofo. Editor. Livre Pensador.
Porto Alegre/RS

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