segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Projeto de Colaboração Social do Instituto Packter

CNPJ 00.766.677/0001-35
Cel. Lucas de Oliveira, 1937
conjuntos 301/302/303/304
Porto Alegre - RS

O que é o Projeto?

Nos últimos anos Lúcio Packter tem levado a Filosofia Clínica a localidades que não possuem meios de quitar passagens aéreas, despesas com hospedagem, alimentação, serviços. Locais onde as clínicas didáticas são gratuitas e onde elementos ligados à constituição de bibliotecas, de pesquisa, de um espaço físico para abrigar consultórios estão muito distantes.

Todos estes custos constituem parte da contribuição que o Instituto Packter promove para as pessoas dentro de seu Projeto de Colaboração Social. Este Projeto agora será expandido por meio de um convite aos colegas que podem e desejam participar.

Como funciona?

Os recursos do Projeto de Colaboração Social do Instituto Packter se destinam diretamente a um conjunto de prioridades ligadas aos centros mais carentes do país: passagens aéreas, estadia, alimentação, auxílio às consultas, manutenção de salas e sedes.

O funcionamento é simples:

1. Mediante colaboração cedendo recursos específicos. Informamos aos interessados quais os fins específicos para que possam escolher.
Exemplo: auxílio para os atendimentos gratuitos realizados no nordeste do país.

2. Mediante colaboração cedendo recursos.
Exemplo: o Instituto Packter direciona os recursos recebidos.

Há inúmeros estudantes e formados em Filosofia Clínica que podem contribuir. Basta preencher o questionário abaixo e nos enviar por e-mail. Nós entraremos em contato.

O que acontece com quem participa do Projeto de Colaboração Social do Instituto Packter?

Um mês após iniciar a participação a pessoa (ou empresa) recebe por e-mail os seguintes dados:

* nome do coordenador do centro de formação ao qual está auxiliando - se os recursos assim forem encaminhados - além do nome dos alunos do centro de formação e seus respectivos e-mails.

* informações completas do Instituto Packter sobre outros direcionamentos do auxílio. Exemplos: passagens aéreas de professores (para onde), workshops e palestras (o local, o tema, quem ministrará).

Ou seja, explicamos minuciosamente onde, com quem e de que maneira os recursos são empregados. Além disso, fornecemos os e-mails dos colegas beneficiados neste processo para o contato direto com quem está propiciando as benfeitorias.

Como participar?

O Instituto Packter convida você a participar conosco deste importante projeto. Inúmeros estudantes, graduados em Filosofia, pós-graduados em Filosofia Clínica e simpatizantes de nosso trabalho podem contribuir com doações. Para isto, basta preencher o questionário abaixo e nos enviar por e-mail. Nossa equipe entrará em contato.

Salientamos que primordialmente este é um dos caminhos para a busca de parceiros que nos permitem continuar levando a Filosofia Clínica a lugares que enfrentam dificuldades na formação de um centro, na formação de pessoas.

Mande-nos seu nome completo e a forma como deseja participar:
* contribuição de vez em quando, valor variável.
* contribuição mensal mediante boleto bancário.

Escreva para institutopackter@uol.com.br

Divulgação.

Agradecemos se a pessoa (ou empresa) que prestar auxílio permitir que anunciemos a contribuição a quem a recebe. Achamos importante que isso ocorra e pedimos que seja assim em nome da transparência. No entanto, compreendemos se o participante não quiser desta forma.

Comprovantes e Recibos

No caso de necessidade de recibos ou notas fiscais, o Instituto Packter poderá enviá-los aos parceiros do Projeto de Colaboração Social conforme solicitações e demandas.

Coordenação

Este projeto é coordenado diretamente por Lúcio Packter. Sob responsabilidade deste está a orientação de nossa equipe.
QUANTO CUSTA UM SONHO?

Ildo Meyer
Médico e Filósofo Clínico
Porto Alegre/RS

Quanto custa um sonho? Um real e cinquenta centavos.

Não, este não é o preço de um sonho de padaria. É o preço de sonhar acordado. O mais barato que encontrei. Um real e cinquenta centavos é a aposta mínima da mega sena.

Cada vez que um cidadão compra um bilhete, além da probabilidade de ser sorteado e ganhar uma bolada em dinheiro, está comprando também alguns dias de sonho. Até o dia do sorteio, o sonho de ser milionário pode acontecer.

A chance de ser sorteado é uma em 50 milhões, mas isto não importa. O que vale é o sonho, e este não precisa terminar. Apostando um real e cinquenta centavos por semana o sonho e a esperança podem ser renovados e assim vai se levando a vida.

Existem sonhos que não custam nada. Acontecem enquanto se dorme, mas nem sempre são agradáveis. Por vezes acontecem pesadelos e o barato acaba custando caro. Além disto, em algum momento é preciso acordar, e então o sonho se perde, sem chances de renovação.

Sonhar é ótimo, dormindo ou acordado. O ser humano chegou até a lua porque um dia sonhou com isto. Alguns duvidaram que fosse possível, outros negam até hoje. Um grupo de abnegados acreditou na idéia, trabalhou duro e um dia chegou lá, fincou a bandeira, caminhou, tirou fotos e trouxe pedaços da lua. Não foi um sonho barato e jamais se perderá ou será esquecido.

Não ter pão para comer, desejar caviar e toda semana comprar sonhos de loteria é sonhar a vida. Sonhar em ser advogado, estudar, passar no vestibular, cursar a faculdade, se formar e exercer a profissão é viver o sonho.

A diferença entre sonhar a vida e viver o sonho pode ser simbolizada por um despertador emocional. Um aparelho que promova um despertar saudável mostrando que sonhos fáceis, baratos e sem necessidade de esforço podem ser irreais, frágeis, fugazes e com possibilidades de fracasso.

Sonhos caros e trabalhosos inicialmente podem parecer difíceis e até mesmo impossíveis, mas a persistência da busca os torna concretos, palpáveis, perenes e motivo de orgulho.

Fisicamente não teremos condições de viver todos os sonhos e alguns terão que ser abandonados ou reformulados. Desistir ou trocar de sonho não é derrota. Milhares de homens e de anos foram necessários para construir o foguete que levou o primeiro homem a lua. O sonho e o trabalho de todos estes homens não foi em vão.

Lévy Hutchins em 1787 inventou o despertador físico, mas o projeto final ainda não está completo.

O sonho do despertador emocional ainda cativa, impulsiona e mantém viva nos homens a esperança de um dia perceberem que somente acordando de um sonho é que se pode vivê-lo plenamente.

Quanto custa um sonho? Um real e cinquenta.

Quanto vale um sonho? Uma vida!

domingo, 29 de agosto de 2010

*Simulacros da mulher cafajeste


“Havia venenos tão sutis que, para conhecer-lhes as propriedades, fazia-se mister experimentar seus efeitos em si mesmo. E enfermidades tão estranhas que era preciso tê-las sofrido, para compreender-lhes a natureza.”
Oscar Wilde


Inúmeras tramas contidas nas coreografias da mulher cafajeste expressam aptidões de sedução e conquista. Artimanhas de fascínio se traduzem em uma estética vigarista. As palavras bem escolhidas e adequadas indicam a raridade na arte de enfeitiçar. Seu corpo insinua excessos de território livre. Desnuda-se em promessas que não poderá cumprir. Seu êxtase permanece suspenso.

Circunstâncias de exceção a perseguem. A maquiagem se atualiza no imprevisível dos instantes. Nela desejos inconfessáveis percorrem desvios e atalhos em busca de meias-verdades. Cremes, perfumes e outros adereços ensaiam preliminares insuperáveis. Seu olhar já não se reconhece em frente ao espelho. Desintegra-se em simulacros de ser outra.

Durante o dia se realiza em lógicas de funcionária. Quando a noite chega, institui paradoxos para outros papéis. Artifícios eficazes mascaram intenções e refúgios bem guardados. Diverte-se ao manipular seu charme irresistível nos percursos de incompletude. A palavra maldita é incapaz de trair-se em diálogos de se deixar levar.

Luz e sombra convivem nas lógicas de precária harmonia. Inauditas versões transgridem suas possibilidades. Seus beijos são juras para alguma violação. Indecifrável jogo não fora os ditos, gestos e sorrisos a denunciá-la como mescla de anjo e demônio. Na insatisfação das buscas a sarjeta atualiza encontros consigo mesma. As ruas por onde transita lhe concede boas vindas. Percorre cabarés e bordéis na companhia promíscua da solidão compartilhada. Sua alma de carisma inevitável guarda segredos bem protegidos.

Um incêndio de grandes proporções se manifesta na essência de caráter itinerante. Provisoriedade onde a vida acontece na vertigem fugaz de um talvez. Na intraduzível fonte das equivocidades uma representação atualiza rituais de antropofagia. Idéias, sentimentos e sensações se prostituem no acaso dos encontros. Canalhas, bêbados e outros noctívagos, apreciam os dotes de sua vida ordinária. Malditas brumas aprisionadas na contradição com a luz do dia.

A miscelânea devassa ensaia atuações em palcos de extravagância. No bordel ou nas praças, uma estética encontra um cenário ideal aos seus deslizes. Na companhia efêmera dos acasos, transgride, por breves instantes, a ilusão de não estar só. Fragrâncias de raridade deslizam em seu corpo inteiro. A sedução articula-se como menina frágil e indefesa. Nestas quimeras de atiçar a imaginação um universo de possibilidades trama suas armadilhas.

O prazer das conquistas descartáveis só fica atrás de seu desejo interdito por encontrar alguém. As luzes da cidade são cúmplices e a boemia constitui seu álibi perfeito. Neles exercita graça e exuberância ao transitar pelos botecos, cinemas e cafés. Nuances de desamparo percorrem seu rosto. Reflexos de equívocos sem fim permanecem reféns deste lugar onde o certo e o errado se confundem.

É de sua natureza juntar fantasia e realidade numa coisa apenas. Sua melhor defesa, quando em flagrante delito, é a aparência inocente conjugada a beleza incomum. Vestida de corpo inteiro por seus personagens, é capaz de capturar qualquer um. Nas tramas de iludir aprecia contrariar expectativas de amor eterno ou união estável. A instabilidade dos seus delírios se delicia entremeios de chegar e partir.

Sua condenação é permanecer livre. Acorrentada a própria subjetividade, desmerece vínculos de maior alcance. Homens e mulheres desavisadas se atraem pelo gosto exótico destas peças de ficção. Profanação das juras de para sempre no lugar qualquer de todo lugar.

Reinventa-se a cada dia ao modificar cabelos, experimentar pinturas, maquiagens e perfumes. Risos e gargalhadas em frente ao espelho que não a reconhece mais. Inéditas roupagens constituem absurdos cenários. Vivencia riscos incontáveis para tornar viável algo que não virá. O álbum de fotografias não faz jus aos seus desempenhos. O retrato revela protagonistas tímidos e quase esquecidos. Sua história parece sem passado ou presente, embora se delicie com o depois de amanhã.

Na rotina de alternar disfarces demonstra intimidade em seus papéis. Até o blefe da mulher cafajeste parece real. Em frente ao espelho distorcido ensaia disfarces de alma nova. Nas ruas poderia passar despercebida, não fora a tentação de novas exibições. Uma estética da tapeação esboça seus feitiços.

Alma burlesca em desdobramentos no fenômeno carnaval. Experimentações ao acaso insinuam desempenhos irresistíveis num jogo de cena pilantra. Assim procura se manter nalguma distância segura dos envolvimentos de maior profundidade.

Sua vida de caprichos e dengues lembra uma peça de ficção maldita. Consegue tecer enredos nas entrelinhas minúsculas dos instantes. Caricaturas bem arrumadas alternam ternura e graça em cotidianos de enganação. Sua representação extrapola os palcos de privacidade e invade as ruas. Diverte-se com artimanhas de encantar. Atribui seu jeito de ser ao querer difuso e errante do destino.

Antídotos poderosos impediram, até hoje, a contaminação pelos próprios venenos de sua lascívia. Atua sempre em terra nova, onde esparrama armadilhas de atração e conquista. Nas feições meigas e graciosas a arte do blefe adquire contornos de legalidade. O faz de conta impressiona tão bem que é impossível perceber as vontades detrás das alegorias. Sorrisos, lágrimas e palavras interagem na medida das circunstâncias. Alterna-se em rascunhos de multidão para ludibriar os próprios sentimentos. Nela a epistemologia desconfia e subtrai as emoções para manter armadilhas e paixões.

Uma lacuna permanece impreenchível nas aventuras e deslizes de profanar acordos. Para ela, a vida desencontra-se em convívios na divisa entre abstração e sensações. Um convite irrecusável escolhe aromas, cores e sabores para seus desempenhos. Entremeios da solidão que a devora, profana-se na fenomenologia das conquistas.

Talvez a melhor caricatura da mulher cafajeste seja seu rol interminável de simulacros. Desconstituir o passado é seu modo de seguir em frente. Na superação das investidas resignifica-se em evasivas e dom de iludir. Artesã da volúpia, sua farsa sugere uma incrível galeria de personagens. Apelo irresistível a sugerir paraísos de exceção.

*Hélio Strassburger
Filósofo Clínico

sábado, 28 de agosto de 2010

Um bom papo


Rosângela Rossi
Psicoterapeuta e Filósofa Clínica
Juiz de Fora/MG


Ter tempo para conversar fiado com gente nova sempre é muito bom. Aprendemos e trocamos experiências que nos enriquece e nos ajuda a desconstruir agendamentos rígidos. A nos abrir ao novo e inesperado.

Um bom papo, sem pressa, no escutar apenas, nos enche a alma de alegria. Os “causos” nos fazem rir. Rir com o corpo inteiro. Sem teorias e dogmas vamos apreendendo coisas simples do dia a dia do povo e dos outros.

Um bom papo com gente diferente da gente abre espaços para ver além daquilo que cremos. As crenças, muitas vezes, nos escravizam e fecham as portas das possibilidades de conhecer e experimentar a vida.

Ouvi hoje uma historinha deliciosa. Coisa de baiano! Axé! Paulinho pediu aos pedreiros para trabalhar sábado e domingo e que pagaria mais para colocarem o portão. Os pedreiros pensaram e responderam: - Ah, a gente não quer trabalhar mais, e deixar, nosso futebol e nossa cervejinha na praia. Não vai fazer diferença o dinheiro a mais! Nossa! Que lição!

Um bom papo nos coloca de quatro e na contra mão. Caem as barreiras das certezas. Que é certo e errado? Que é bonito ou feio? O que é bom ou ruim? Tudo é relativo e mutável. Parmênides que me perdoe com seu é, fico mais com Heráclito com seu vir-a-ser.

Ser ou não ser? Importa isso? Viver apenas basta! Sem regras e padrões. Deixa a vida me levar, leva eu... Não importa se Sheskpeare ou Pagodinho, o bom mesmo é um papo legal.

Um bom papo é aquele que faz a gente feliz. Faz-se pensar ou não, pouco importa. Se for verdade ou mentira pouco importa. Bom é a gente brincar e se deixar navegar pelo universo do outro apenas compartilhar. Afina, a alma se faz na relação com o outro.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Arrepios!


Idalina Krause
Filósofa Clínica
Porto Alegre/RS


Parece haver uma luminosidade diferente nos dias... ou serão apenas meus olhos alquímicos penetrando novas "zonas de vizinhança"?

A certeza não me habita... mas que um arrepio me percorre é fato.

Adamantinas particulas se fundem dentro e fora de um corpo insuprível de sensações.
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quinta-feira, 26 de agosto de 2010

LUA
Dayde Zavarise
Porto Alegre/RS

Lua que transparece tão plácida,
Ainda guardo em minh'alma;
O amor antigo dos românticos,
Fazendo de você, infinita poesia.

Tenho-a como companheira,
Mulher altiva e imponente.
Você faz brilhar luminosamente,
Afastando de mim, meu triste pensamento.

Não só de mim, internamente,
Seu fulgor vem trazer.
Mas como um grande candeeiro,
Ilumina o caminhar do nosso viver.

O meu coração clama,
Pela doce criatura.
Das negras e plenas noites,
Da rotina do meu dia-a-dia.

Ainda a tenho no peito formosura,
Qual os grandes poetas de antigamente.
Meu olhar para você, nunca foi Ciência,
Só tenho um olhar: o da inocência!

Que missão a sua, oh, Lua!
Aquela de sempre estar presente.
Alguns momentos que me pesam,
Tornam-me leves diante do seu pensamento.

Você marca um Tempo, oh, querida,
O Tempo de sempre anunciar:
Quão bom e sereno Tempo!
Você diz: comigo pode contar!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Os sinais do caminho

Lúcio Packter
Pensador da Filosofia Clínica

Breno cuidou tanto os sinais que esqueceu da estrada. Percorreu todo o trajeto e quando terminou sabia exatamente que tinha terminado porque tinha lido na última placa, metros antes.

Alcina viveu a estrada, os sinais eram apenas referências, instruções sobre cuidados. Avistou Breno diversas vezes, mas este nunca a viu.

Afonso povoou a jornada com sinais contraditórios. Acabou atrapalhado, mas não sabia direito com o que, uma vez que um sinal lhe avisava que tudo estava bem, calçadas abertas.

Clóvis nunca viu qualquer sinal, sempre guiou pelo curso que se abria diante de seus olhos, viajou bem, chegou em paz; diferente do que houve com Evaristo, que também ignorava os sinais, e acabou precocemente sua andança em uma bifurcação acentuada à esquerda.

Gunter vinha atrás de Clóvis e de Evaristo, cuidou as coisas, cuidou ambos, tornou-se um especialista na evolução de Clóvis e de Evaristo, mas pouco sabia de si mesmo. Isso não lhe interessava, aliás.

Heraldo entendia os sinais quando a estrada confirmava lá na frente o que ele havia visto lá no passado; Isidoro, não. Antecipava os sinais; quando não havia sinais, ele tratava de criar alguns. Não acreditava na segurança de coisas não sinalizadas.

Jurandir procurou a vida inteira compreender as relações entre o itinerário e o sentido dos avisos.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Resenha [imaginária] para um livro [imaginário] intitulado [imaginariamente]: "O cérebro-espírito na educação"

Idalina Krause
Filósofa Clínica
Porto Alegre/RS

Vazios Espirituais é o título do novo livro da filósofa e pesquisadora Maria Campos, que saiu recentemente pela Editora NADA. Nesta obra a autora faz uma análise crítica sobre: “mortes existenciais” originadas pelo massivo uso de drogas como Ritalina, impostas aos jovens identificados como portadores de déficit de atenção e hiperatividade.

O texto inovador, escrito em forma de metáforas, apresenta um assunto polêmico e faz um alerta a pais, professores e alunos sobre o uso indiscriminado dessas substâncias. Salienta que: “A ‘mansidão’ de um aluno considerado com déficit de atenção, não quer dizer necessariamente que não tenha um poder incrível de pensamento. E que o ‘agitado’ hiperativo não seja inventivo, criativo à sua maneira, mesmo que não suporte mais copiar lições e ficar obrigatoriamente sentado”.

Cada caso deve ser considerado para não incorrermos no erro de ceifar vidas, causar sofrimento em nome de uma “verdade” e um “bem” que se supõe estar fazendo em nome da “saúde”.

Podemos estar criando uma legião vestida de camisas de força, bonsais humanos, bonitinhos, decorativos, mansinhos, vasos de informações, receitas prontas, o eterno amém do pensar decepado.

Respeitar a pluralidade e diferenças de comportamentos é um desafio dos novos tempos, o rebanho da Ritalina de hoje pode gerar o ressentido de amanhã.

domingo, 22 de agosto de 2010

AMO

Olympia
Filósofa Clínica
São João del Rei/MG

TERRA E ÁGUA.
SOL E SOMBRA.
SOM E SILÊNCIO.
CRIANÇA E VELHO.
VENTO E CHUVA.
POEIRA E MATO.
PÁSSARO E CANTO.
TRILHAS E FLÔRES.
ESTOU INDO...
LUGAR?
NÃO SEI...

sábado, 21 de agosto de 2010

Por um momento

Rosângela Rossi
Psicoterapeuta e Filósofa Clínica
Juiz de Fora/MG

Talvez em algum lugar deste universo infinito haja um planeta dos nossos sonhos.
Onde pessoas se amem por amar. Respeitem- se naturalmente. Sirvam- se mutuamente. Confiem simplesmente. Vivam eternamente.

Talvez por um momento o tempo e espaço se una paralizando a existência, fundindo o nada e o todo, pausa em profundo silêncio.

E se a vida não passa de um sonho?

Criamos por um instante o agora.
Será que existimos ou não somos um suspiro de Deus?

Por um momento o tudo pode se transformar em nada e o nada em tudo.
Incrível mistério que nenhuma filosofia,teologia ou ciência pode explicar por mais que se façam teorias.

E vamos navegando por mares cósmicos como avatares, brincando de deuses.

Por um momento esquecemos de tudo ou nos lembramos do que se foi. Só o agora existe entre o inspirar e expirar. Ins-pira. Res-pira. Ex- pira. Pira, fogo divino, luz da consciência. Razão libertadora.

Parece tudo uma loucura. Mas, a lucidez, por um momento convida a refletir o uno no verso do viver.
Aterrizando...
Por um momento.

Brinco com as palavras, danço com o vento e celebro estar agora aqui a sentir e pensar neste instante que é bom, belo e verdadeiro, por um momento, viver.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Amar o próximo como a si mesmo

Roberto Calvet
Filósofo Clínico
Rio de Janeiro/RJ

A Filosofia Clínica, ao abordar um pensamento como este, não vai buscar o significado universal destes termos; pelo contrário, na fala de quem profere tais palavras, vai entender o que é amar para esta pessoa, como ela se relaciona (interseção) com o próximo, o que ela pensa de si mesmo.

Existem nesta frase três elementos que, conforme a representação que cada pessoa tem de mundo, podem gerar ações, comportamentos e sentimentos os mais diversos.

Eu não sei, a princípio, como você se ama para querer o seu amor. Eu não sei o que é amar para você. Também não sei como você se vê ou como vê o mundo. Ser alvo desta sentença, amar ao próximo como a si mesmo, dependendo de como são essas três coisas para você (amar, o próximo, si mesmo) pode ser algo maravilhoso, mas também pode ser uma tremenda agressão se os significados forem diferentes para mim. Estes são os cuidados que o filósofo clínico tem quando pratica a sua clínica.

A Filosofia Clínica exige do terapeuta uma graduação de quatro anos em filosofia. Depois, uma pós-graduação de mais dois anos, um pré-estágio de um ano – onde o filósofo vai fazer terapia com outro filósofo clínico, observando os métodos da filosofia clínica, ao mesmo tempo em que ocupa o papel de partilhante (assim é chamado o paciente na filosofia clínica); e depois mais dois anos de estágio supervisionado, onde começará a fazer atendimentos com a supervisão de seu orientador.

É uma formação que exige no mínimo nove anos de preparação.

A terapia na Filosofia Clínica não é uma conversa intelectual e abstrata onde se recomendam leituras de filósofos ou discutem-se conceitos. Pode até ser, caso esta se mostre a melhor forma de se comunicar com o partilhante, mas em princípio nem falamos sobre filosofia no consultório.

Toda nossa bagagem filosófica nos permite a construção de métodos, técnicas e posturas que possibilitam nossa escuta atenta do outro, sem preconceitos ou pré-juízos. Não enquadramos as pessoas em sintomas, tipologias ou interpretações; pelo contrário, chegamos até outro ser humano como se encontrássemos um novo universo a ser descoberto, com leis físicas novas, onde teremos que aprender tudo novamente.

Uma vez feito este trabalho de aprendizado do que é o outro, de como ele se relaciona com o mundo, de como ele se percebe, partimos para ajudá-lo a resolver a questão que o fez procurar a terapia.

Pode ser ajudando-lhe a lidar com seus próprios recursos, ensinando-lhe novos ou mesmo através de novas criações, pois a filosofia clínica, como a vida, não é algo acabado, fechado e estático, mas uma terapia que está sempre se desenvolvendo, buscando se aperfeiçoar, sempre aberta a novas contribuições, diálogos e questões.

Não existe somente uma verdade para a filosofia clínica. Trabalhamos pelo menos com duas: a verdade convencionada e a verdade subjetiva. A subjetiva é a de cada um, conforme começamos nossa conversa aqui. A convencionada é a que compartilhamos para tornar possível nossa convivência em grupo, social.

Um dos nossos trabalhos na terapia é entender como estas duas verdades se dão para a pessoa que nos procura; os conflitos que podem advir daí e, através de uma terapia que se mostra extremamente rápida e eficaz, porque geralmente dura de seis meses a um ano e meio, trabalhar a questão que a levou a buscar a terapia a fim de proporcionar-lhe felicidade ou bem estar existencial conforme sua representação de mundo.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

*Bússolas subjetivas

...Porque no vasto oceano,
a minha eventual desarmonia
é só uma gota
desafinada.
Mais nada.
Lya Luft


A malha intelectiva é única e cada sujeito desenvolve um eixo subjetivo a instituir sua historicidade. Inseridos numa cultura manifestamos nosso ser no mundo: espiritualidade, linguagem, arte ou raciocínio. Habilidades capazes de proporcionar uma possível consciência de quem somos através das experiências adquiridas.

Um dos tópicos da estrutura de pensamento é inspirado nos estudos de Schopenhauer, em seu livro: “O mundo como vontade e representação”. Ele diz: “o mundo é a minha representação”. Pela capacidade de abstração e reflexão o homem pode alcançá-la.

O entorno do indivíduo é concebido e percebido na relação com ele mesmo. São duas metades essenciais, necessárias e inseparáveis: objeto e sujeito. Nesse sentido essas representações são tantas quanto o número de pessoas: enquanto para um o mundo é um espaço prazeroso e de realizações, para outro pode ser uma ‘via crucis’, ou ainda, como um lugar sem sentido.

Isso ajuda a entender melhor as caminhadas existenciais seguindo na contra mão, pois, se biologicamente tentamos descrever a vida numa forma linear, subjetivamente nem sempre é assim.

A prática clínica mostra algumas variações sobre esse assunto. A diferença, às vezes radical, entre a certidão de nascimento, idade biológica, e a existência subjetiva é um exemplo: Um indivíduo pode estar, fisiologicamente, vivenciando seus 50 anos e ter um ou mais tópicos aparecendo como se estivesse com 10 ou 20 anos.

Recordo o caso de R: “uma mulher de 49 anos, mãe de três filhos. Ao falar sobre seu papel existencial como artesã mostra-se segura. Uma pessoa empreendedora, criativa e com buscas definidas. Apresenta submodos adequados para realizar seus negócios, no entanto, quando sua história segue em direção as emoções surge uma menina de 10 anos, desprotegida e em busca de afeto.”

O contrário também acontece. Sujeitos de pouca idade apresentando tópicos com trejeitos de uma vida de 60 anos.

Como o caso de M.: “um adolescente de 16 anos. Suas buscas caminham em direção a uma formação acadêmica ainda a ser definida. Gosta de música, namorar, viajar, sair com seus amigos. Vive uma fase de experimentação de si mesmo. Transita entre esportes radicais e leituras filosóficas. Após os exames categoriais percebe-se que suas verdades subjetivas são de um homem de 50 anos.”

Essa incongruência pode ser um dos motivos das várias interseções encontradas: positiva, mista, indefinida ou negativa.

O contato com o novo é uma experiência cotidiana. Pessoas passando pelas nossas vidas a todo o momento e despertando em nós sentimentos de simpatia, indiferença ou dúvida.

Em “Filosofia Clínica - Poéticas da Singularidade”, Hélio Strassburger reflete: “Existe um ponto de frágil equilíbrio nas relações entre as pessoas. Alianças para aproximação com o extraordinário da condição humana. Pelas rotas de acesso à representação de cada um, vastos e inexplorados continentes podem mostrar-se.”

Encontros momentâneos chegam a ser agradáveis, mas a continuidade das convivências pode se mostrar insuportável. Um grupo escolar, por exemplo: quando resolvem passar mais tempo juntos é comum surgirem discussões, afrontamentos ou formação de sub-grupos.

Esse comportamento pode estar relacionado ao momento de cada um. Se isolarmos um tópico da estrutura de pensamento, perceberemos aspectos diferenciados: enquanto um possui esse tópico como um sujeito de 20 anos, outro poderá expressar esse mesmo tópico como se tivesse 30.

Nesse sentido os encontros podem seguir caminhos diferentes. Essas formas estapafúrdias de ser ajudam a compreender, e, quem sabe, deixar de lado pré-juízos referentes a alguns relacionamentos, considerados anormais: um jovem de 19 anos, apaixonado por uma mulher de 50 anos ou vice-versa.

A relação entre duas pessoas, compreendida a partir da sua estrutura de pensamento, pode ir bem além das aparências ou do convívio de superfície em muitas sociedades.

A causa desses distanciamentos entre idade biológica e idade subjetiva, pode ser encontrada na historicidade, via interseção entre o Filósofo e seu Partilhante.

Essas manifestações devem ser entendidas, se possível, a partir de seus contextos e desdobramentos existenciais. A estrutura de pensamento em sua plasticidade, pode mudar, inclusive com as crises a sugerir autogenias.

*Ana Cristina da Conceição
Filósofa Clínica
Porto Alegre/RS

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

O pastor e a irmã desgarrada

Idalina Krause
Filósofa Clínica
Porto Alegre/RS

As representações que cada ser humano constrói coloca em campo, principalmente nas relações interpessoais, lutadores vorazes prontos para impor suas verdades universais.

Há muitos julgadores de plantão, almas banhadas de um ressentimento sem fim, discursos prontos, ditando leis paralíticas, “representoses” baratas, diante de um mundo plural e intenso.

E a “briga” impõe seus traçados, muitas vezes em lugares alegres, descontraídos, de conversa solta, onde a figura casmurra faz morada.

Quase sempre, sem ser convidado, chega de surpresa e destoa pelo tom pastel de suas vestes fechadas, com destaque para a camisa social abotoada até o último botão, na altura do gogó.

Pode ser considerado o triste observador, olhinhos de rato, retinas gelatinosas, mente rica em opiniões, pastor. Desconhecem que o segredo das palavras não está do lado daquele que escuta, não leu Nietzsche, apenas os dogmas bíblicos.

Aliás, tem os mandamentos sempre à mão, aquela com fecho que tem como chaveiro um mini-testamento a balançar. Solução estratégica para caso de emergência, onde não seja possível o acesso rápido, a grande bíblia que está com a capinha preta.

As palavras têm atividade, toda uma genealogia, que pode desmascarar preconceitos e ilusões quando é possível descobrir sua força e o que se exprime nela. Mas os equívocos ocorrem nos adoentados da alma, que se envenenam a si mesmos. Não sabem o que é um filosofar leve. Pesados, arrastam-se, buscando poder, reconhecimento; escravos, não criam novos valores nem relações, somente reproduzem os velhos.

Pude acompanhar recentemente, numa reunião entre amigos, uma cena que me chamou a atenção e causou reações contrárias em função de uma palavra. Foi em um churrasco de fim de semana. Que após comes, bebes, cantorias e sessão de piadas todos já estavam a se despedir.

Foi quando uma amiga nossa pediu para levar um pouco de carne e salsichão para fazer um “rebuceteio” em casa – um prato preparado com lingüiça, alho e cebola fritos, arroz, feijão, com outras sobras em uma frigideira. O mesmo que “mexido”.

A criatura essa casmurra que tentei descrever acima, se levantou de onde estava, abriu o porta-bíblia e colocou na mão desta pessoa um convite de sua igreja. Para um culto, pois diante de tudo o que havia assistido e mais o rebuceteio final, ele achou profeticamente necessário encaminhá-la para a salvação. Pobre irmã desgarrada!

Minha amiga nobremente agradeceu, e sugeriu que a dita igreja no centro da Capital deveria fazer um rebuceteio coletivo entre pastores, crentes, empresários e distribuir nas imediações, pois seria uma boa iniciativa. E saiu sorrindo!

O paulínio ser não dramatizou o conceito, escutou, representou de forma equivocada, julgou e condenou, ignorava a aplicação da palavra, da idéia, impôs sua moral do “bom” sobre o “mau”. Forma viciada que ainda triunfa infelizmente em nossa realidade cotidiana. Onde a representação pensa dominar de maneira clara e distinta toda a realidade. Esquecendo-se, porém, dos dinamismos mutantes que operam no obscuro de cada conceito, revelando suas forças e dramática leveza.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Nem todas as perguntas têm uma só resposta

Ildo Meyer
Médico e Filósofo Clínico
Porto Alegre/RS

Tudo começou com uma brincadeira entre amigos. Um perguntava e o outro respondia a primeira coisa que viesse à cabeça.

O que é felicidade? É fazer tudo aquilo que se tem vontade.
O que é liberdade? É fazer tudo aquilo que se tem vontade.
Para que serve o dinheiro? Para se fazer tudo aquilo que se tem vontade.

Agora se invertem as posições e é a vez do outro perguntar.

O que é felicidade? É não fazer nada que não se queira fazer.
O que é liberdade? É não ficar aprisionado a nada.
Para que serve o dinheiro? Para comprar liberdade e felicidade.

Não sei qual era o objetivo da brincadeira, mas algum dia, quando você menos esperar, também vai se ver envolvido com algumas perguntas. Por que estamos aqui? Para que serve a vida? O que é felicidade? Para onde vamos? Afinal, qual o sentido desta vida?

Desde que o mundo é mundo estas indagações vagas e inespecíficas perseguem os homens. Como as respostas não são simples, surgiu a crença de que somente um seleto grupo de iluminados conhece este segredo e que nós, simples mortais, jamais poderemos alcançá-lo.

Filósofos, sábios, gurus e professores fazem o papel de guias ditando toda a sorte de estratégias, caminhos e técnicas para que possamos um dia nos aproximar das respostas. E na ânsia de encontrá-las imediatamente, utilizamos todos os recursos disponíveis, correndo em várias direções, até mesmo em círculos para poder encontrar um sentido para nossas vidas.

Acontece que para se compreender o sentido da vida, é preciso passar por aspectos mundanos do dia-a-dia. Coisas simples que às vezes nos fazem sentir como nos comerciais de margarina, com aquela família feliz e sorridente em volta de uma mesa e um cachorro amigo sentado no chão.

Plantar uma árvore, ter um filho, escrever um livro ou um blog é apenas mais uma fórmula da sabedoria popular, não muito difícil de executar e que pode ser parte de um sentido na vida para alguns.

Outros, ao invés da escrita de um único livro, consideram-se mais plenos através da leitura de vários autores. Outros mais, acreditam que é o sucesso quem traz na carona a felicidade e o sentido da vida. Amar, ajudar e prestar serviços aos demais também pode ser um sentido. Ter muitos amigos, fazer parte de um grupo, servir a Deus, criações artísticas, meditação... Não existe unanimidade, nem mesmo entre os sábios.

Nem sempre quando uma pergunta demanda várias respostas, uma delas precisa ser a correta. Pode-se conviver com todas, inclusive com a dúvida. Por que não? Existem várias maneiras pelas quais a vida pode ter sentido.

Ao nos preocuparmos demais em encontrá-lo, corremos o risco de nos perder. O melhor a fazer é seguir em frente e levar uma vida que cremos valer a pena para nos tornarmos o que queremos ser.

Felicidade, sucesso, realização, filhos, livros, dinheiro, amigos, amores, liberdade, religião, gurus, segredos podem cruzar o nosso caminho. Fazem parte do pacote da vida e podem ser apreciados sem preocupação de tê-los todos e para sempre.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

*Entre uns e outros

“Sinto-me múltiplo. Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos que torcem para reflexões falsas uma única anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas.”
Fernando Pessoas


A atuação cotidiana de cada um pluraliza sua estrutura entre uns e outros. Mesmo quando não perceba esse fenômeno tão próximo, segue refém de seus encantos ou dissabores. Instantes por onde os personagens se multiplicam, em nuances de um espetáculo quase imperceptível.

No discurso da historicidade, os inéditos costumam se apresentar como algo recém chegado da memória, sensação de estranheza ou na invenção de termos a própria pessoa. Querer corrigir essas singulares narrativas pode desmerecer a semiose como anúncio. Faceta da subjetividade a permanecer insignificante, não fora o caos diante de si.

Os arranjos de ser incompreensível, agenda traços do mesmo na interseção com os outros. Percursos pelos refúgios da intencionalidade, até então, subversivos ao seu autor. A busca por integração nem sempre é desejável. Algumas verdades devem permanecer onde estão.

A ficção assim descrita se institui numa quase realidade. Seus paradoxos legitimam o mundo ao redor. O incomunicável também se diz nas entrelinhas do velho conhecido.

No cenário silencioso da interioridade as novas forças elaboram suas retóricas. Mesmo a biografia mais conhecida, desliza para alguma amnésia, como se insinuasse outras fontes para si. Assim a desordem pessoal reivindica mais espaço ao herói desconhecido. Desenvolturas de protagonista a traduzir anterioridades consideradas sem sentido.

Os deslocamentos pelo universo dos outros, não fragiliza ou exclui o mundo do eu, em muitos casos o fortalece. Destaca as subjetividades dentro da mesma estrutura e faz referência aos irreconhecíveis subterrâneos.

No dizer de um Fernando Pessoa: “Sinto-me viver vidas alheias, em mim, incompletamente, como se o meu ser participasse de todos os homens, incompletamente de cada (?), por uma suma de não-eus sintetizados num eu postiço.”

Nem sempre é possível haver alguma conversação entre os papéis existenciais. Alguns podem existir no mundo das idéias, outros no cotidiano lá fora. Seus deslizes apreciam as incompletudes para se manter.

Existem àqueles que, ao celebrar determinados contratos, estimulam sua contradição: os amantes que resolvem tornar oficial a relação, para depois, título de propriedade à mão, se separar. Noutros casos, são os vícios sustentados na obrigação de acabar.

Seu desassossego elabora conjecturas de aproximação aos universos de aspecto distante. Ao profanar os sagrados territórios, é possível vislumbrar as várias máscaras do personagem.
Nos roteiros de ator principal e coadjuvante, a aptidão persuasiva equivale a uma verdade possuível. Lugar onde os álibis são perfeitos e sustentam o ir e vir dos papéis.

Para Antonin Artaud: “É preciso acreditar num sentido da vida renovado pelo teatro, onde o homem impavidamente torna-se o senhor daquilo que ainda não é, e o faz nascer.”

Nem sempre as convenções sociais intimidam a invenção ou descoberta das expressividades. Uma propedêutica cotidiana se insinua ao existir focado numa só figura. Espécie de lucidez delirante a descrever visibilidades na errância com os rituais conhecidos.

Interseções sem passado ou futuro existem num vislumbre pelo agora fugaz. Versão entrelinhas de ser ator ou atriz numa obra desconhecida, apesar de tão íntima.

Ao perturbar insignificâncias, a vertigem de um fundo que se abre pode transbordar outros eus. O espetáculo da singularidade acontece, muitas vezes, imperceptível aos princípios de verdade. Nele a desconstrução costuma se anunciar pelo acréscimo de termos agendados.

Em Jorge Luis Borges: “A base da geometria visual é a superfície, não o ponto. Esta geometria desconhece as paralelas e declara que o homem que se desloca modifica as formas que o circundam.”

Seu vir-a-ser deriva da conversação entre seus tópicos estruturais. Autogenias onde a encenação da vida real prepara seus roteiros. Prescreve verdades como se fora um discurso alheio. Sua representação, inicialmente sem sentido, promove reconhecimentos entre a primeira e a terceira pessoa.

A atuação assim descrita, longe de ser desvario, contradiz a ilusão de ser apenas um. Promove saber a interseção aprendiz, onde uns e outros se deslocam a conjecturar sobre a cara metade de anjos de demônios.

O inesperado articula-se na invisibilidade de um talvez. Papéis existenciais apreciam as dialéticas de transgressão aos extraordinários refúgios.

Sua lógica forasteira pode aproximar dessemelhanças em ação na mesma pessoa. Mesmo irreconhecível compartilha feições como distorção ou rasura. Apesar da concepção mundana, sua principal companhia será a solidão, nem sempre conhecível.

*Hélio Strassburger
Filósofo Clínico

sábado, 14 de agosto de 2010

A Ditadura da Razão

Beto Colombo
Filósofo Clínico
Criciúma/SC

Houve uma época conhecida como medieval em que a filosofia diminuiu e alguns filósofos até deixaram de fazer os questionamentos tradicionais: Quem Somos, De Onde Viemos, Para Onde Vamos.

Nessa época, a principal ocupação dos filósofos era responder a pergunta fundamental que a ciência se propunha: Pra que?

Não bastava conhecer, imaginar, sentir... Era preciso responder a que fim cada objeto, ser vivo, planetas e tudo mais se destinava, para que serviam. Assim, os filósofos medievais passaram a se empenhar para dar respostas às autoridades.

Inserido nesse contexto, houve um homem conhecido como Kepler, nascido em Wurttemberg, atual Alemanha, que dedicou toda a sua vida a astronomia. Para Kepler, Deus não havia colocado os planetas daquele jeito no céu por acaso.

Ele escreveu sua teoria acreditando que Deus era um grande Músico Geômetra e as regularidades matemáticas dos movimentos dos astros podiam ser decifradas de sorte a revelar a melodia que ele fazia os planetas cantarem em coro no Firmamento para o êxtase dos homens.

Johannes Kepler, no final de suas investigações, chegou a representar cada planeta por meio de uma nota musical.

O que Kepler faz em relação aos planetas, outros filósofos e também cientistas fizeram com as plantas, as pedras, os animais, os fenômenos físicos e químicos, perguntando acerca de suas finalidades estéticas, éticas, humanas... Para ter valor precisava ser respondido para que servia e assim, o universo inteiro precisava ter uma compreensão humana.

Como Kepler, em relação aos astros, houve os que tentaram explicar a existência de Deus pela razão e assim por diante. O raciocínio finalista que vem lá dos tempos de Aristóteles estava de volta e para tudo tinha que ter uma explicação e tudo tinha que ter uma função.

Pensam que é diferente hoje? Existem casos que é exatamente assim. Na biologia, por exemplo, você vê um bicho com dentes compridos e na cabeça do biólogo vem a resposta “esse nasceu para ser roedor” e é assim para cada órgão do corpo, o coração serve para isso, o rim para aquilo, os pulmões...

Mas diferente da biologia, nem tudo na vida precisa ser respondido somente pela lógica, pela razão, como se tudo na vida nascesse para ter somente função, finalidade. Isso é assim para os racionalistas, algumas pessoas não estão atrás dessas respostas, pelo menos desse jeito.

Por que isso, para que aquilo. Para alguns, isso já vem lá de criancinha e muitas perguntas continuam sem respostas, nem tudo precisa ter uma explicação racional. Quantas decisões são tomadas pela intuição? Como explicar a intuição pelo raciocínio? De onde tiramos que tudo precisa ter uma resposta? A resposta mais usada na filosofia clínica é não sei.

Parece-me que há séculos vivemos na ditadura da razão. A emoção pode até aparecer de vez em quando, porém comportadamente. A emoção precisa ficar no cabresto e controlada pela razão. Lembro-me de um pai dizendo para seu filho “aqui não é lugar para chorar, deixa para chorar em casa seu frouxo”.

Certo e errado, ser ou não ser. Algumas pessoas que não têm como tópico determinante a razão sofrem com os racionalistas de hoje e o contrário também é verdadeiro.

Não é certo ou errado ser razão ou emoção, o importante para mim é saber que somos diferentes e que a individualidade de cada um precisa ser respeitada.

Lembrei agora dos conselhos dos mais velhos naquele contexto que me criei: “homem não chora”, ou então “agora você já é um homem feito e precisa ser durão”. Quantos agendamentos e quanto sofrimento causado. Pelo menos no meu caso não precisava ser assim.

Lembre-se, isso é assim para mim.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Convite para exposição artística

Marilda Hill Maestrini
Artista Plástica e Filósofa Clínica
Juiz de Fora/MG

"O som feminino do universo"

Inauguração: 18/08/2010 às 20hs
Local: Galeria Renato de Almeida no Centro Cultural Pró-música em Juiz de Fora/MG.
Parceria: Pró-música e TV Alterosa.

A abertura da exposição contará com a participação especial de Glaucux Linx, saxofonista internacional, o coral inclusivo Cecília Meirelles, coordenado por Cristina Hill Fávero e a exibição do vídeo: "matriarcado de Pindorama", realizado pelo núcleo de subjetividade e cultura da UFJF - coordenação: Denise Maurano.
A mulher que se divorciou de si mesma

Lúcio Packter
Pensador da Filosofia Clínica

A constituição de 1988 facultou a dissolução do casamento civil após separação judicial por mais de um ano. Mas antes disso, em 1977, já havia uma regulamentação.

Naquela época, nas cidades de porte médio o divórcio era tido com reservas pela maioria e todo o modo como o processo acontecia facilmente descambava para o escândalo.

Hoje, a situação é tão outra que em alguns círculos alguém que fique casado por mais de 10 anos deve estar com algum problema e é necessário que se investigue o que deu errado em tal casamento.

Porém, há outras formas de divórcio. Um deles é o divórcio de si mesmo. Pode acontecer com pessoas que inventaram ou que descobriram que não têm nada a ver com elas mesmas, que não se suportam, e que não vão levar as coisas longe o bastante para terem um fim semelhante ao de Nietzsche, que padeceu de um colapso nas ruas de Turim.

No Hospital de Caridade, na capital catarinense, atendi a uma senhora que procedeu desta maneira. Ela explicou que se abandonou e foi viver as coisas dos outros, as vidas dos outros, o ambiente. Sua atenção agora estava voltada para o mundo e sempre tinha os cuidados para não acabar topando com ela mesma.

“Assim como uma pessoa não vai com a cara de alguém, eu não vou com a minha cara. Aprendi a conviver com isso. Sou psique sem curiosidade por Eros”.

O rosto lhe era um dos pontos pungentes. Sabe aquele quadro de El Greco, Homem com a mão no peito (Museu do Prado, Madri)? Olhe cuidadosamente o rosto e as mãos.
Café Filosófico - convite

Com Will Goya
Filósofo Clínico
Goiânia/GO

Data: 15/08/2010
Horário: 17:00
Local: Bolshoi Pub

O Café Filosófico é um evento quinzenal, aberto ao público, e que tem por objetivo promover discussões e debates de temas filosóficos associados ao dia-a-dia, como: violência, amor, ética, depressão, entre outros.

Neste primeiro encontro no Bolshoi, o tema será: Ética e Política: É Possível Um Sem O Outro?, com participação dos professores Prof. FC. Will Goya - mestre em filosofia política (1996-UFG) filósofo clínico (2002-Inst. Packter/RS); Prof. Luiz Signates (UFG), jornalista e especialista em políticas públicas (1998-UFG), mestre (1998-UNB), doutor (USP-2001) e pós-doutor (2009-UNISINOS) em ciências da comunicação; Marina Sant’Anna, advogada, ex-vereadora e política atuante há muitos anos em Goiânia.

Ingresso: 2 kg de alimento não-perecível (exceto fubá, sal e farinha)

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Palhaço ou robô ?

Rosângela Rossi
Psicoterapeuta e Filósofa Clínica
Juiz de Fora/MG

Podemos escolher nosso caminhar, afinal somos livres. Ou não somos?

O Palhaço se solta na vida. Ri e encontra a vida existente em todos que passam por seu caminho. Palhaço é presença:- Aqui estou e sou como sou! Corpo pleno no gozo simples da entrega. Respiração intensa no sentir tudo. Chora e ri. Brinca e briga. Dá piruetas e não se entrega ao sistema.

Sua ironia é uma crítica profunda a loucura deste mundo cada vez mais inumano. O Palhaço cria , inventa, celebra. Dá a mão no compartilhar e aceitar a singularidade de cada um. Respeita e acolhe. Chora junto. Ri junto. Braços abertos. Redenção.

Robô é máquina, apertador de parafusos. Ação sem pensar. Pura repetição. Xérox. Poder e competição. Não está nem aí para os outros. Outros são coisas a serem usados e explorados. Vaidade e orgulho. Imagem da aparência. Coração de lata. Diz amém sem saber o porque e para que. Excessos e compulsão. Nem arte, nem cosmos. Era do vazio. Desejo. Falta. Hiperconsumismo. Imitação. Frustração. Tensão.

Lembro-me de meu avô que me perguntou quando ainda tinha 4 anos, lá no seu quintal;- Você quer ser couve ou alface? Provei os dois. A couve era amarga e a alface doce.

Então ele me disse que eu escolhi naquele instante ser Palhaço. Ri muito e até hoje não deixo me esquecer o que sou: Um palhaço com roupa de alface repolhuda bem verde.

Quando esqueço disso, e me vejo Robô, dou piruetas, leio Osho, permito os sabáticos, leio os epicuristas, encontro novamente como eles: a simplicidade, os amigos e o conhecimento. Pego os pincéis, olho as obras de Dali e danço sob o luar.

Afinal, meu palhaço adormecido quer despertar e brincar a vida.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

É dando que se recebe!

Idalina Krause
Filósofa Clínica
Porto Alegre/RS

Sou prostituta da existência
Quanto + dou + quero dar
Vivo vidas que recebo
Bordel de almas
Confissões veladas
Alguns vinténs
Orgias totais...

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

A diferença é um Universo

Ildo Meyer
Médico e Filósofo Clínico
Porto Alegre/RS

Entrevista concedida a Revista DOC – Gestão em Saúde, março/abril 2009-
www.revistadoc.com.br


1) Um consultório é como uma pequena empresa. Quais são as principais características e diferenças que devem ser observadas?

Para gerenciar e conduzir bem um consultório, não basta ser um excelente médico, é necessário assumir também uma posição de empresário, controlando todas as atividades que envolvam o dia-a-dia. Fluxo de caixa, qualidade do atendimento, divulgação, informática, enfim. Esta não é uma tarefa fácil, principalmente para o médico que teve sua formação acadêmica direcionada para diagnosticar e tratar doenças.

Na ânsia de se tornar competitivo podem ocorrer estratégias equivocadas que envolvam justamente a negação de todo o aprendizado médico. Um dos erros mais clássicos é confundir paciente com cliente. Desde o estacionamento até a porta de entrada da sala do médico, o consultório deve ser encarado como uma empresa. Dali para a frente a relação deve ser outra.

2) Para o médico é difícil ver o consultório como uma empresa, até por faltar esta informação. Esta idéia mudou nos últimos anos? Quais os prejuízos desta falta de informação?

O cenário da saúde mudou. Há uma competição acirrada entre profissionais, hospitais e planos de saúde. A medicina, em muitos casos já é encarada como um negócio, mas alguns médicos ainda tem restrições e resistem à mudanças, pois acreditam que a fórmula tradicional de atendimento médico à moda antiga inspira mais confiança e que em time que está ganhando não se deve mexer. Algumas tendências indicam os novos rumos da medicina e não podem ser ignoradas:

- pacientes não são mais resignados, exigem conhecimento, qualidade e segurança
- informações estão disponíveis e pacientes raramente chegam desinformados à consulta
- erros médicos não terminam com pedido de desculpas, mas em tribunais
- o paciente é a parte mais importante do binômio médico-paciente
- praticamente todos os pacientes possuem algum tipo de seguro saúde, tornando-se raros os pacientes ditos particulares.
- pacientes não pagam pela consulta, pagam pelo atendimento de suas necessidades.
- pacientes em certo grau, devem ser tratados como clientes, ou seja, sempre tem razão.
- o que um médico tem em comum com outro médico é a medicina, o que os diferencia é um universo. Este universo de alternativas pode ser a diferença entre o sucesso e o fracasso profissional.


3) Qual é o primeiro passo para quem deseja ter seu próprio consultório? Quais são os principais requisitos que essa pessoa deve possuir?

Ao terminar a residência médica, o profissional anseia por iniciar a produzir, apressando-se em alugar um consultório, contratar uma secretária, conseguir um emprego e credenciar-se em vários planos de saúde. Sem orientação, sem planejamento e sem conhecimento do mercado de trabalho.

Planejamento é o primeiro passo e os pré-requisitos fundamentais são formação acadêmica bem estruturada, percepção das necessidades dos pacientes, empatia e paciência, pois um início de vida profissional apressado e sem planejamento pode fazer com que a carreira médica seja direcionada em um sentido difícil de correção.

4) Quais são os principais erros cometidos no gerenciamento de um consultório? Como eles podem ser evitados?

Falta de organização e de planejamento estratégico, tanto por desconhecimento como por terceirização destas tarefas para funcionários despreparados. Um bom inicio de carreira pode ser a identificação e segmentação do mercado-alvo, que por sua vez vai auxiliar a definir localização e estrutura ideais do consultório, estratégias de marketing, formação de imagem pessoal e da marca da empresa.

Organização também é fundamental desde o inicio, pois envolve a agenda do médico, registro de pacientes, fluxograma de caixa, contratos, pesquisa de satisfação de atendimento, cálculo do preço da consulta.

Processo de seleção de funcionários tem importância vital dentro de qualquer empresa e devem ser evitadas contratações por amizade, parentesco ou necessidade.

5) Quais são as características de um bom funcionário que possa fazer o consultório crescer? Como o médico pode contornar esse obstáculo se este funcionário não tiver estas características?

A doença é sempre inesperada e mal recebida. Ao procurar auxílio médico o paciente encontra-se fragilizado e que ter seu problema resolvido, embora isto não o isente de avaliar a qualidade do atendimento. Ele precisa perceber se foi buscar ajuda no lugar certo, e a impressão que a secretária transmitir, será igualmente a imagem que ele terá da clinica.

Cursos e treinamentos podem ser oferecidos aos funcionários, que devem sentir-se valorizados, bem remunerados e participantes de uma equipe que trabalha em harmonia e confiança mútua.

Um provérbio chinês diz “quem não sabe sorrir, não deve abrir uma loja”. Assim sendo, são condições fundamentais para trabalhar na área de saúde: gostar de trabalhar com o público, facilidade de comunicação, educação e bom senso, cuidado com a aparência, cursos mínimos de secretariado e informática, dinamismo, empatia, responsabilidade e organização.

6)Há muitos casos em que o médico fica com uma secretária por anos. Porém, nem sempre o trabalho dela é satisfatório e o médico tem receio de demiti-la. Este tema é um tabu? Como o médico deve enfrentar esta situação?

Em alguns casos, a secretária faz o trabalho de telefonista, amiga e até confidente com muita eficiência, porém deixa a desejar nas funções para a qual foi admitida e o médico envolvido nesta trama, não tem como demiti-la, chegando por vezes a contratar outra secretária e mantendo a confidente apenas por receio de complicações.

A profilaxia é a melhor conduta. Profissionalismo aliado à ética evitam que estas situações aconteçam. Implantação de protocolos bem definidos das tarefas de cada membro da equipe, avaliações periódicas de resultados e objetivos atingidos podem auxiliar no processo de desligamento de funcionários ineficientes.

7) Inovação é a palavra-chave de alguns artigos do senhor. Entretanto, muitos profissionais temem a realização de inovações, com receio de afastar clientes – que no caso são pacientes. Como isso deve ser contornado?

A maior dificuldade não é fazer com que as pessoas aceitem novas idéias, mas sim faze-las esquecer a velhas. São necessários seis anos de faculdade, mais três anos de residência para se tornar um médico. A cada cinco novos anos, metade do conhecimento médico é renovada. Como não pensar em inovação?

Pacientes estão inovando, tecnologias são desenvolvidos em tempo recorde, a qualidade dos serviços está melhorando, a informação cada vez mais disponível, concorrência global se aquecendo, como não pensar em inovação?

Em breve quem não inovar será transformado em commodity e a arte e inovação na medicina será justamente conseguir fazer o comum (diagnosticar, tratar doenças e cuidar de pacientes) de forma incomum.

domingo, 8 de agosto de 2010

Olá

Convido a todos para a 1ª aula do curso de extensão "Filosofia Clínica e Espiritualidade", dia 11Ago2010, às 19h00. (quarta-feira).

A primeira aula é gratuita e as orientações quanto a matrícula será fornecida no dia, no Centro Universitário Moura Lacerda.

O curso será ministrado pelo criador da Filosofia Clínica: "Professor Lúcio Packter".

Um abraço.
Florivaldo Garcia.
Filósofo Clínico
Ribeirão Preto/SP


SINOPSE DO CURSO

O curso de extensão "Filosofia Clínica e espiritualidade" propiciará uma idéia geral do funcionamento da Filosofia Clínica e sua relação com as diversas formas de espiritualidade, contextualizando a prática na história do sujeito.

Filosofia Clínica e Espiritualidade
Conteúdo programático e agenda do curso

AGOSTO
11, quarta.......... Ribeirão Preto
O funcionamento da Filosofia Clínica.
Definição de Espiritualidade.

SETEMBRO
08, quarta............ Ribeirão Preto
Origens e desenvolvimento da Espiritualidade

OUTUBR0
06, quarta..........Ribeirão Preto
Aprofundando as relações entre os objetos da espiritualidade e a pessoa.

NOVEMBRO
10, quarta.......... Ribeirão Preto
Meditar, rezar, orar: um caminho via Filosofia Clínica.

DEZEMBRO
08, quarta.......... Ribeirão Preto
Orientações para um presente e para um futuro próximo.
Lá vem Maria

Olympia
São João del Rei/MG

Vem cedinho de trás das montanhas
Lá o sol acorda
Vem pela vereda
Trouxa de roupa na cabeça
No tornozelo um pano branco amarrado
Cobre uma ferida antiga
Volta no fim do dia
Nova trouxa na cabeça
Percorro o caminho de Maria
No topo da montanha
Avisto uma casinha no grotão
Plantas e flores coloridas
Cerca de bambu e velho portão de madeira
Na porta da cozinha
Tripé de ferro com panelas penduradas
Panelas estrelas
Mineiramente peço um copo d'água
Água da mina cristalina
A casa da Maria
Pequenina com tijolos avista
Telhas cerâmica e chão batido
Fogão a lenha
Brasas para alimentar o ferro de passar roupa
Maria conta histórias...

sábado, 7 de agosto de 2010

Navegar ou Naufragar

Wilson Barbosa
Filósofo Clínico
Goiânia/GO

Desde a década de 90, aproximadamente, os centros de tecnologias, os laboratórios de informática, vem sendo uma realidade dentro das escolas públicas brasileiras.

De lá para cá, as discussões de se encontrar os melhores mecanismos de ensino/aprendizagem, consoante ao uso das tecnologias, vêm ganhando espaço cada vez maior junto aos pedagogos, técnicos e especialistas em geral.

No tocante ao uso do computador, devemos manter cautela em determinados aspectos, sem contudo,coibir o aluno de "mergulhar" em um oceano de informações, a internet.

A atitude do professor, indubitavelmente, deve ser a de fornecer um ambiente que favoreça o máximo possível de informação e aprendizagem à seus alunos e em nenhum momento da história da educação houve tão expressiva oportunidade de informação e aprendizado quanto o momento em que vivemos, a saber, com laboratórios de informática conectados à rede.

Na outra ponta da questão, nunca houve riscos tão grande de, ao invés de obter informação e aprendizado navegando pela web, naufragarmo-nos em meio a um "oceano" de onde não se enxerga o porto.

Cabe ao professor se preparar, rompendo com velhos paradigmas e propor uma nova forma de cognição, utilizando os recursos de que dispõe, direcionando o processo de ensino/aprendizagem com criatividade, sem abrir mão da ordem; usar de sabedoria e direcionamento, sem deixar a delicadeza de entender a ansiedade do seu aluno que talvez, jamais teve tamanha oportunidade de aprendizado.

Quando os parâmetros do uso da tecnologia são bem definidos, as possibilidades de ensino aumentam. O aluno passa a enxergar um mundo novo que antes por hábito lhe era igual, e o papel do educador para com seu aluno tomará por fim seu lugar devido: um farol pertinho quando for preciso e um farol distante quando for preciso.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

A menina no espelho da velha

Lisete Silvio
Filósofa Clínica
São Paulo/SP

Tenho um par de olhos e um de ouvidos
Um olho e um ouvido
já viram e ouviram mais que o suportável
Agora, só contemplam e ouvem ecos
Os outros dois nasceram noutro dia
Estão sempre novinhos em folha
O olho busca atrás de todo horizonte
O ouvido, atento, busca o inaudível
No meio disso tudo
Um cérebro e um coração
Ora, correm para acudir um lado
Ora, vão socorrer o outro
Em ambos lado vêem justeza
Pois dos dois saltam razões
E ficam confusamente correndo
A qual dar mais atenções?
Nesse imbróglio de nascença
Vem a menina
Vem a velha
E quando ambas se contemplam
A menina no espelho da velha
Apura-se enquanto é tempo
Já a velha, bem, a velha
no espelho da menina se olha
E vê a outra como à uma filha
Entende todos seus delírios
seus sonhos e arremessos
Com um sorriso pequeno
Pisca um olho complacente
-Isso tudo já conheço...

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Coisas que significam outras coisas

Beto Colombo
Filósofo Clínico
Criciúma/SC


Na colina tinha uma bica d’água onde agricultores serviam-se dela e saciavam a sede. Então, uma gruta de pedra foi erguida e dentro dela uma imagem da Santa colocada, agora aquela água virou água benta e milagrosa. Será que verdadeiramente ela é milagrosa?

Tomo um copo d’água, a água mata a minha sede. Não me pergunto se a água é verdadeira, ela apenas é cristalina, fria... O fogo é o fogo e ele significa apenas fogo, significa a si mesmo. Ele aquece, ele ilumina, ele queima. Perguntar se ele é verdadeiro não faz sentido. Assim como a flor é uma flor, o máximo que posso perguntar é se ela é perfumada, se ela é bela...

Aquela água da torneira clorificada torna-se benta se colocada num cântaro no altar da gruta, assim como a flor pode ser uma confissão de amor ou até uma afirmação de saudade, se jogada sobre uma sepultura. O fogo torna-se símbolo sagrado nas velas dos altares e nas piras olímpicas.

Rubem Alves, no livro O Que é Religião, com sabedoria diz que há coisas que significam outras, são as coisas / símbolos. “Uma aliança significa casamento; uma cédula significa um valor; uma afirmação significa um estado de coisas além dela mesma.”

E se alguém simplesmente usar uma aliança na mão esquerda sem ser casado? Uma cédula pode ser falsa. Uma afirmação pode ser uma mentira. Por isso, quando nos defrontamos com as coisas que significam outras coisas, é inevitável que levantemos perguntas acerca de sua verdade ou falsidade.

Aquela fonte no morro, que era apenas uma bica d’água, tornou-se um lugar de peregrinação porque aquela gruta construída deu um novo significado e a água que brota dela, agora é benta e cura gastrite, reumatismo e faz milagres.

Fui à casa de um bom amigo e encontrei um antigo altar da igreja de Santo Agostinho que outrora era a mesa de celebração da Eucaristia nas missas dos domingos, onde o vinho transformava-se em sangue de Cristo e o pão no corpo de Cristo, e agora é apenas uma mesa de jantar de uma família como outra qualquer.

Quando um artista pinta um quadro, ele está dando o seu significado àquela pintura. Outra pessoa que nada sabe sobre aquele artista dará a sua interpretação conforme o acervo agendado no seu intelecto, na sua estrutura de pensamento.

Um beijo dado por Maria em Jesus Cristo provavelmente é amor e carinho, agora um beijo dado por Judas significa outra coisa.

Algumas vezes nos deparamos com palavras de alguém que fala e o interpretamos dando o nosso significado àquela situação sem dar a chance dele colocar “sua verdade”, apenas julgamos e condenamos como se fôssemos juízes: isso é verdade, isso é mentira. Verdade pra quem? E mentira pra quem? Aquela verdade pode ser a interpretação da minha verdade.

Algumas vezes, antes mesmo de ouvir o outro, antes de prestar atenção naquilo que ele está dizendo, apenas estamos ouvindo nossos pensamentos para formularmos o que vamos dizer em seguida. Será que estamos ouvindo o que o outro fala ou apenas o que estamos sentindo e significando conforme nossa estrutura de pensamento e talvez com nossas verdades?

E às vezes nós transformamos o que o outro está falando conforme nosso significado em objeto de concordância ou discordância. Tenho aprendido que é preciso manter-se a literalidade do falante, limpando a mente de todos os ruídos e interferências durante a fala alheia.

Ouvir o outro sem oferecer julgamento, sem significar, apenas entregar-se ao outro e diluir-se nele. No início da minha prática como terapeuta em consultório esse foi um grande desafio, não foi fácil, mas hoje sei que é necessário e possível. Sou testemunha disso.

Estamos juntos
Beto Colombo
beto@anjo.com.br

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

PARÁGRAFOS

Flávio Sobreiro
Filósofo Clínico
São Paulo/SP

Os caminhos de nossa vida
são sempre pontos de partida
nunca de chegada
chegada tem tramas de ponto final
e somos seres chamados
a recomeçar sempre
a cada novo instante
a cada nova manhã
a cada novo pôr-do-sol
sempre caminhar
porém sem esquecer
de que um caminho
nunca é trilhado na solidão
ele é partilhado
nas experiências de vidas que sempre se encontram
e recomeçam
e por isso mesmo
acreditam que por de trás de cada curva da estrada da vida
se encontra escondida
uma nova paisagem a ser descoberta
um novo sorriso a ser desvendado
um novo olhar a ser admirado
em cada recomeço
encontramos novas chances de aprendermos com erros passados
que se tornaram pontos finais
e desejam se tornar
parágrafos de novas histórias
com novas possibilidades
de se tornarem frases inéditas
de vidas que decidiram
apostar no recomeço
de amarem um pouco mais
a si mesmos
e ao próximo

em cada ponto final de nossa história, há sempre um novo parágrafo a ser escrito
EMCANTAR se prepara para sair em turnê nacional com o espetáculo PARANGOLÉ.

Depois de brincantes revolucionarem palcos e praças do Triângulo Mineiro, agora é hora de expandir para o Brasil.

O espetáculo Parangolé, lançado em 2009, circulará por 11 cidades brasileiras, incluindo capitais, para levar a alegria e jeitos de fazer educação e arte a quem possa se interessar.

A cidade pioneira é Goiânia, que recebe pela primeira vez o grupo e se prepara para exibição do filme, 3 sessões do espetáculo e oficina para educadores.

Não fique fora dessa!

Se estiver em Goiânia, compareça. Se não puder estar, acompanhe a turnê pelo site www.emcantar.org e pelo twitter www.twitter.com/emcantar

Confira a programação da Turnê Nacional em Goiânia:

05/08 - Exibição de Parangolé - O filme para alunos da rede municipal
06/08 - Espetáculo Musical Parangolé para toda comunidade às 20h no Teatro do Colégio Santo Agostinho
07/08 - Oficinas "Canções e Brincadeiras no Cotidiano Escolar" às 8h no Colégio Santo Agosto.

E a turnê não pára por aí....

As próximas cidades são Itumbiara-GO (12 a 14 de agosto) e Ituiutaba-MG (16 e 17 de agosto)
Fique por dentro das novidades do EMCANTAR.

Um grande abraço e ... PARANGOLÉ!

Maíra de Ávila
Filósofa Clínica
EMCANTAR - Cultura Educação Meio Ambiente
(34) 3218-6604
(34) 9115-4643
www.emcantar.org

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

O BELO MAIS QUE BELO

Rosângela Rossi
Psicoterapeuta e Filósofa Clínica
Juiz de Fora/MG


Beleza= Bet el za= O lugar em que Deus brilha.
Dostoievski em sua obra O Idiota exclama: “A beleza salvará o mundo!”

Em Platão e na Patrística: “A beleza é o esplendor da verdade”.
Para Aristóteles e São Tomás de Aquino: “A beleza é a satisfação do desejo”.

Atitude objetiva : O princípio primeiro da beleza vem do grego kalos (bom,belo,verdadeiro). “É o belo na sua pura essência. A beleza independe de meu parecer”.

Atitude subjetiva: Depois do segundo milênio, o belo é o que satisfaz ao meu desejo, plena satisfação dos instintos. Eu que determino o que é belo. “Sinto prazer, logo é belo”.

Sempre bom refletir sobre o apelo a beleza ( eterna juventude, propaganda e marketing) num mundo onde tudo se move através do desejo, da falta e da sedução. Esta é a falsa beleza, beleza da aparição, beleza de plástico, de uma vida voltada para o imediato.

A beleza é sagrada, é o encontro com o centro divino.
O belo mais que belo, é o brilho de Deus em todas as infinitas expressões do existir.
Caros colegas e alunos:

Após este recesso devemos retomar a nossa caminhada a partir do próximo Sábado às 15hs onde vamos acertar o nosso calendario de reunião e ouvir o colega Raimundo Domingos que está retornando da semana de estudos em Porto alegre. Ele não só estudou filosofia clínica como ouviu as experiencias retratadas pelos demais participantes.

Espero vocês!

Francisca Rodrigues Carvalho
Filósofa Clínica
Fortaleza/CE

domingo, 1 de agosto de 2010

Trégua

Idalina Krause
Filósofa Clínica
Porto Alegre/RS


Instante mágico é um acontecer, quem na perdição humana achou um momento de trégua, para se sentir um deus e admirar o que raramente se percebe.