Alguns discursos sobre a filosofia clínica podem ser encantadores. Falar sobre o fato de cada pessoa ser única, exaltando a singularidade; referir-se ao fato de haver uma construção compartilhada entre filósofo clínico e partilhante; mencionar os procedimentos clínicos únicos para cada indivíduo; defender o dirigir-se ao outro, via recíproca de inversão, a fim de compreender sua representação de mundo; entre tantas outras características, podem expor a realidade do consultório, mas nem sempre refletem seus reais desafios. Uma das possíveis negligências com as quais o filósofo clínico pode se deparar encontra-se no desafio da suspensão de juízo. A ideia de acolher o partilhante por meio da postura fenomenológica – ao realizar a “epoché” – pode ser discursivamente linda. Respeitar o outro como um “solo sagrado” diante do qual deve-se “tirar as sandálias” das verdades pessoais a fim de compreender o outro a partir de si constitui uma apresentação comum nos textos, nos discursos e nas re...
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