Há algo de intrigante na coincidência de dois livros que, à primeira vista, numa análise superficial ou meramente disciplinar não teriam razão para dialogar. Mas considerando uma perspectiva pluriversal, interdisciplinar e transdisciplinar, de um lado a recente leitura de A vida secreta das palavras I, de Hélio Strassburger, um ensaio filosófico-clínico que investe contra a psiquiatria diagnóstica em nome da singularidade irredutível de cada sujeito. De outro, uma leitura de 2025, A vida secreta dos números, de Kate Kitagawa e Timothy Revell, história global da matemática que desmonta o eurocentrismo para revelar os pioneiros apagados pela narrativa hegemônica. O que os une, para além do título, nesse caso, seria que ambos operam uma arqueologia do oculto, desenterrando aquilo que regimes de saber configuraram como invisível. Strassburger constrói a sua argumentação so...
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