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Notas para uma psicopolítica alternativa***

1. La ambivalencia de nuestra coyuntura psicosomática se encarna en la porosidad de una crisis anímica colectiva: el deterioro emocional de nuestras vidas precarias, agravado durante la pandemia, viene operando a su vez como punto de partida de “nuevos activismos psicopolíticos” y de iniciativas de “salud mental desde abajo”. Hoy el problema político es si delegamos la gestión de la crisis en el estado, la industria farmacéutica y el lenguaje progresista de las políticas desde arriba; o por el contrario, podemos resignificar y reapropiarnos de la crisis anímica desde abajo, redirigiendo las dinámicas de investigación y politización colectiva contra las causas estructurales del sistema productor de malestares. Animado por estos desafíos, releo dos libros antagónicos: Psicopolitica de Byung Chul Han (Herder) y Una lectura feminista de la deuda de Verónica Gago y Luci Cavallero (Tinta Limón). Leo de forma fragmentaria y dispersa, pero las resonancias militantes movilizan cierto deseo de p...

Abrindo janelas***

  O dado atualizado é um elemento importante em Filosofia Clínica. Ele colabora na identificação das mudanças ocorridas ao longo das sessões ou em uma mesma sessão, por isso, faz parte da compreensão dos desdobramentos clínicos.   Juntamente com dado literal, dado padrão e evolução do assunto imediato, eles compõem os critérios para montar a estrutura de pensamento. E são nesses instantes de discurso existencial atualizado, que a pessoa pode apresentar releituras, reinvenções e ressignificações sobre dados passados ou, até mesmo, romper com armadilhas conceituais, surpresa! Admiração! Filosofia! Essa é a matéria prima da clínica: acolher e transitar pela obra aberta partilhante. É o inesperado revelando-se ao clínico que não tem a totalidade da obra existencial do sujeito, mas, está próximo dele o suficiente para ser um meio pelo qual ele se diz nesses momentos de novidade. Em uma sociedade onde a crise existencial é vista como doença a ser erradicada, perde-se ao desconsi...

Notas do consultório do filósofo III*

A nova abordagem terapêutica com base na interseção da Filosofia com a prática clínica, traz consigo uma trama significativa de reflexões e contribuições para a vida e o papel existencial das pessoas com borogodó para a atividade cuidadora. Existem nuances e desdobramentos a partir de um encontro terapêutico, por onde suas repercussões superam a hora-sessão para encontrar a luz do dia. Do lado a lado da relação clínica ocorrem fenômenos improváveis se distanciados da categoria lugar onde se realizam.    Um desses eventos desconcertantes é uma resultante da terapia, conhecida por autogenia. Sua expressão trata de: interseção e suas derivações, transformação, mudança, ressignificação na estrutura de pensamento de uma pessoa. No que se refere ao partilhante, é possível trabalhar as autogenias que se apresentam nas dialéticas da hora-sessão, no entanto, também o filósofo clínico, tem sua expressividade impactada pelas circunstâncias de consultório.      Em Fritjof C...

Notas de um consultório*

Nós somos todos linhas tortas porque nos encontramos. Nós somos quase todo feitos de encontros e de desencontros também; somos um conglomerado de fragmentos de você. Sim, nós somos linhas tortas porque linhas retas jamais se encontram mesmo sendo curvas infinitas. E certamente, escrever certo por linhas tortas parece cada vez mais ser o melhor caminho. Pois muito do que eu sou agora deve-se em grande medida as contribuições dos encontros e dos desencontros que compuseram e impactaram a minha vida tão somente porque a minha vida toda foi feita de histórias repletas de fatos que transcenderam e muito a lógica comum e cotidiana imposta pelos mais superficiais e céticos. A verdade é que quando se toma consciência de tudo que os encontros e os desencontros nos causaram fica difícil não nutrir paz e uma gratidão gigante e crescente por tudo que nos fora doado nessa jornada existencial sempre tão significativa, desafiadora e dignificante. Musa! _______________________ Autoconhecimento e liber...

Um breve relato terapêutico***

Em algum momento da minha vida as coisas não caminhavam bem. Os assuntos imediatos eram, principalmente, os conflitos éticos que rolavam no meu trabalho, relacionados aos colegas e clientes, as dificuldades de aceitar o mundo como ele é, e entender para onde eu iria me direcionar dalí pra diante. Pois bem, fui pra terapia. Meu plano de saúde dispõe de psicólogo. E assim, fui buscar ajuda. Era uma boa psicóloga e tínhamos uma interseção que habilitava o trabalho, embora desde o início houvesse alguns conflitos na nossa troca, pois era perceptível um ponto de vista divergente sobre questões que pra mim eram fundamentais. Trabalhando minha flexibilidade em relação a isso, pude percorrer um bom caminho por algumas sessões. Mas confesso que desde o início as consultas eram, em sua maioria, difíceis. Não havia um zelo com assuntos desconfortáveis, e o tratamento era aplicado de maneira repentina, gerando dificuldade de absorver as questões que acompanhavam as sessões e o tratamento dado a el...

Somos Forrest Gump?*

Quando vemos o filme 'Forrest Gump', tendemos a nos colocar no lugar de quem viu o que "realmente" aconteceu e a narrativa do personagem principal, que dá nome ao filme, como quem viu algo de modo limitado. É como se nós tivéssemos uma visão privilegiada e, o outro, uma percepção limitada. A noção de que acessamos a "realidade" com "objetividade" pode trazer uma noção do outro como quem tem uma visão limitada pela inteligência, sentimentos, pontos cegos etc. No entanto, de certo modo, somos como o Forrest Gump. Nossa percepção do mundo é uma perspectiva. Tendemos a acreditar piamente no que nossos olhos e lembranças nos dizem sobre um acontecimento ou experiência. E não estamos errados. Pois é essa percepção ou visão de mundo que norteia nossa vida. Por isso, no consultório, não buscamos necessariamente o que aconteceu, mas como a pessoa vivenciou, interpretou, significou etc. o ocorrido. Pois não é a objetividade que marca a experiência que direci...

Era uma vez...*

"As vezes, eu acredito em seis coisas impossíveis antes do café da manhã" (Alice no País das Maravilhas, Tim Burton, 2010) As singularidades adentram os espaços terapêuticos das mais improváveis formas. Alguns chegam indecisos sobre o porquê de estarem ali, afinal nem sempre existe obviedade; outros talvez não saibam que seja uma porta para descobertas tão incômodas quanto difíceis. Existe a probabilidade de que um turbilhão os perpasse, podendo arremessá-los até a mais insana possibilidade de ser. Na verdade, percorrer caminhos de encontros pode ser tão inusitado quanto permanecer inerte no estado catatônico em que a normalidade desavisada costuma nos mergulhar. Cada um tem sua estrada, suas histórias na bagagem, que muitas vezes arrastam melancólicos ou sem vontade, desgostosos do que mais desejam. Na verdade, as histórias se misturam em potes, cujo fundo nem sempre é visível. Falas entrecortadas de peculiaridades trazem à tona que um dia fui assim... há muito tempo não sei...

Parâmetros de estudo***

Considerar a totalidade da estrutura de pensamento não significa o mesmo que conhecer tudo sobre o indivíduo. Tudo implica na noção de reconhecimento ou estudo de algo observável em repouso, um objeto inerte ou estático. Do não dotado da capacidade de transformação. Encontrar a singularidade é entender estruturalmente o “como” do partilhante “sendo” na efetivação – submodos – de sua organização interna – estrutura de pensamento – possibilitadas por seu horizonte existencial – exames categoriais. Dentre outros motivos, esse ladear inicia por um recorte chamado assunto imediato, pois antes de enxergar a estrutura interna e sua efetivação, a possibilidade de reconhecimento se dá a partir das categorias. É necessário entender a estrutura de pensamento relacionada aos demais elementos do método. Na terapia, a proposta é uma aproximação ao como a pessoa está e não a busca de definir quem ela é. Isso traz ao filósofo clínico o desígnio de nunca baixar a guarda na relação traçada entre assunto...

Percepções e reflexões em Filosofia Clínica*

A Filosofia Clínica tem um jeito próprio de pensar, diferente. Traz para a terapia o olhar, os modos de compreensão e de entendimento das tradições filosóficas ocidentais. A sua originalidade é colocar como central a ideia de singularidade, que cada pessoa é diferente de cada uma das outras. Não há uma noção de ser humano a priori, pré-estabelecida. Cada um virá do seu modo e será recebido com o que lhe é próprio, em suas tonalidades afetivas, com aquilo que tem feito em sua história, nas circunstâncias de sua vida. Com sua loucura, suas maneiras de lidar com o mundo, com a existência, com os outros, consigo. Não trabalha com a noção de doença, nem com tipologias psicopatológicas. O que não quer dizer que não reconheça e trate dos fenômenos da depressão ou de comportamentos tidos como bipolares. Ansiedade, angústias, tédio e tantas outras formas de viver, de sofrer, fazem parte daquilo que se cuida em Filosofia Clínica. Cada vida pode ser vista como um fluxo de emoções, afetos e pensam...

Singularidade*

Para a Filosofia (obviamente alguns autores, isso não é uma aceitação geral), a singularidade é um exercício, pois nascemos particulares – somos parte de algum grupo, de alguma família, de uma cidade etc. – e tornamo-nos singulares, com o esforço de imprimir nossa personalidade única. Para alguns, somos universais desde que nascemos, pois fazemos parte do todo seja da humanidade, do universo, da ecologia etc. Em alguns casos, em uma Filosofia ontológica, nossa existência é única, porém atrelada a gêneros ou espécies. Tornamo-nos – seja o que for - comparando-nos com outros ou em hierarquia com outros gêneros ou espécies. A Filosofia Clínica tem o pressuposto da singularidade na abordagem com o fenômeno humano, mesmo que o próprio indivíduo que venha até um filósofo clínico não se considere singular. Alguns não querem ser vistos existencialmente como singulares, mas como existindo em grupos ou em conexão com particulares ou universais. Assim se efetivam existencialmente.  Para algun...