terça-feira, 17 de agosto de 2010

Nem todas as perguntas têm uma só resposta

Ildo Meyer
Médico e Filósofo Clínico
Porto Alegre/RS

Tudo começou com uma brincadeira entre amigos. Um perguntava e o outro respondia a primeira coisa que viesse à cabeça.

O que é felicidade? É fazer tudo aquilo que se tem vontade.
O que é liberdade? É fazer tudo aquilo que se tem vontade.
Para que serve o dinheiro? Para se fazer tudo aquilo que se tem vontade.

Agora se invertem as posições e é a vez do outro perguntar.

O que é felicidade? É não fazer nada que não se queira fazer.
O que é liberdade? É não ficar aprisionado a nada.
Para que serve o dinheiro? Para comprar liberdade e felicidade.

Não sei qual era o objetivo da brincadeira, mas algum dia, quando você menos esperar, também vai se ver envolvido com algumas perguntas. Por que estamos aqui? Para que serve a vida? O que é felicidade? Para onde vamos? Afinal, qual o sentido desta vida?

Desde que o mundo é mundo estas indagações vagas e inespecíficas perseguem os homens. Como as respostas não são simples, surgiu a crença de que somente um seleto grupo de iluminados conhece este segredo e que nós, simples mortais, jamais poderemos alcançá-lo.

Filósofos, sábios, gurus e professores fazem o papel de guias ditando toda a sorte de estratégias, caminhos e técnicas para que possamos um dia nos aproximar das respostas. E na ânsia de encontrá-las imediatamente, utilizamos todos os recursos disponíveis, correndo em várias direções, até mesmo em círculos para poder encontrar um sentido para nossas vidas.

Acontece que para se compreender o sentido da vida, é preciso passar por aspectos mundanos do dia-a-dia. Coisas simples que às vezes nos fazem sentir como nos comerciais de margarina, com aquela família feliz e sorridente em volta de uma mesa e um cachorro amigo sentado no chão.

Plantar uma árvore, ter um filho, escrever um livro ou um blog é apenas mais uma fórmula da sabedoria popular, não muito difícil de executar e que pode ser parte de um sentido na vida para alguns.

Outros, ao invés da escrita de um único livro, consideram-se mais plenos através da leitura de vários autores. Outros mais, acreditam que é o sucesso quem traz na carona a felicidade e o sentido da vida. Amar, ajudar e prestar serviços aos demais também pode ser um sentido. Ter muitos amigos, fazer parte de um grupo, servir a Deus, criações artísticas, meditação... Não existe unanimidade, nem mesmo entre os sábios.

Nem sempre quando uma pergunta demanda várias respostas, uma delas precisa ser a correta. Pode-se conviver com todas, inclusive com a dúvida. Por que não? Existem várias maneiras pelas quais a vida pode ter sentido.

Ao nos preocuparmos demais em encontrá-lo, corremos o risco de nos perder. O melhor a fazer é seguir em frente e levar uma vida que cremos valer a pena para nos tornarmos o que queremos ser.

Felicidade, sucesso, realização, filhos, livros, dinheiro, amigos, amores, liberdade, religião, gurus, segredos podem cruzar o nosso caminho. Fazem parte do pacote da vida e podem ser apreciados sem preocupação de tê-los todos e para sempre.

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