terça-feira, 15 de março de 2011

Filosofia Clínica ajuda a educar

Mônica Aiub
Filósofa Clínica
São Paulo/SP


É possível adaptar alguns métodos da Filosofia Clínica para melhorar o aprendizado dos alunos na escola. Caminho passa por construir uma pedagogia regional, adaptada às necessidades locais dos estudantes.

Uma análise sobre a história da Educação brasileira demonstra que, desde os jesuítas, importamos modelos educacionais de outras culturas e realidades, tentando adaptá-los a nossas necessidades.

Nossa história demonstra, também, o fracasso de tais modelos, visto não terem sido pensados a partir de nossa realidade e, por isso, não serem, em sua maioria, compatíveis com as necessidades educacionais de nosso país.

Diante do desafio de trabalhar com a diversidade humana, o professor necessita, cada vez mais, ser um pesquisador. Não apenas um pesquisador da área em que atua, mas da realidade em que vive e dos seres humanos com os quais trabalha. O professor precisa saber ler as necessidades de seus educandos a fim de proporcionar-lhes instrumentos para que possam se situar diante da realidade e de seus problemas.

Construir uma pedagogia regional é algo necessário. Isto é, nossos métodos e materiais devem ser escolhidos tendo por base as características e necessidades do público com o qual trabalhamos.
Apresentadas essas ideias, a pergunta que vem em seguida é: como? Como fazer isso diante das imposições dos sistemas e redes nos quais trabalhamos? Como fazer para pesquisar as necessidades específicas dos educandos e de seus contextos?

Há uma análise das estruturas políticas feita por Foucault que ajuda a responder à primeira questão. Ele mostra que muitas vezes se deseja modificar um sistema a partir de sua macroestrutura, pensando que, ao modificá-la, modificam-se as microestruturas nas quais se está inserido.

Como seria isso? Para mudarmos nossa prática educacional, precisaríamos antes alterar toda a estrutura da Educação brasileira e, para isso, toda a estrutura política de nossa sociedade. Considerando as condições reais existentes para isso e nosso poder de atuação sobre essa gigantesca estrutura, imediatamente nos sentimos impotentes, incapazes de provocar qualquer movimento.

Mas, segundo Foucault, as macroestruturas só existem porque são constituídas de microestruturas que as sustentam. Não é a macroestrutura que determina a microestrutura, mas as microestruturas que constituem a macro.

Se desejamos modificar as estruturas vigentes em nossa sociedade, precisamos iniciar esse processo por nós mesmos. Iniciando um processo de alteração das microestruturas, automaticamente estaremos mexendo nas macroestruturas do poder.

Outro ponto importante é que os educadores deveriam estudar a legislação para criar propostas de trabalho regidas por ela - ou ao menos que não a ferissem. Com isso conseguiriam reivindicar a legitimação de seus projetos, uma vez que estariam adequados não apenas às necessidades locais, mas também à legislação vigente.

E, indo além, caso percebessem uma inadequação da lei às necessidades, o caminho seria exercer a cidadania, encaminhando o assunto para os órgãos competentes e exigindo um posicionamento acerca do proposto.

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