sexta-feira, 21 de abril de 2017

Fragmentos Filosóficos, Delirantes*


"(...) essa estrutura da consciência é muito frequente nos filósofos, ou seja, nos homens que têm um grande hábito de 'pensar sobre o pensamento', como diz Goethe, isto é, que estão profundamente penetrados pelo caráter imaterial do pensamento, que sabem de longa data que ele escapa a todo esforço para representá-lo, defini-lo, cristalizá-lo, e que, por conseguinte, só de modo sóbrio e com alguma repugnância usam comparações e metáforas quando falam dele"

"A compreensão é um movimento que nunca se conclui, é a reação do espírito a uma imagem através de outra imagem, e a essa através de outra imagem, e assim por diante, em linha contínua, até o infinito"

"Na atitude imaginante, com efeito, encontramo-nos na presença de um objeto que se dá como análogo aos que podem aparecer-nos na percepção"

"(...) compreender por que percebemos de maneira diferente daquela com que vemos"

"O ato de imaginação, como acabamos de ver, é um ato mágico. É um encantamento destinado a fazer aparecer o objeto no qual pensamos, a coisa que desejamos, de modo que dela possamos tomar posse. Nesse ato, há sempre algo de imperioso e infantil, uma recusa de dar conta da distância, das dificuldades. Dessa forma, a criança, em seu leito, age sobre o mundo com ordens e preces. A essas ordens da consciência os objetos obedecem: aparecem"

"Um objeto enquanto imagem não é nunca de maneira franca ele próprio"

"(...) o sentimento comporta-se diante do irreal tal como se comporta diante do real. Procura fundir-se a ele, esposar seus contornos, alimentar-se dele"

"(...) imagens hipnagógicas. Essa produção de imagens, fundada sobre a apreensão imaginante de fosfenos, de contrações musculares, de palavras interiores, possui riqueza suficiente para fornecer a matéria do sonho"

*Jean-Paul Sartre in "O imaginário" Ed. Ática. SP. 1996.  

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