“... acordou no cume de um sonho que se eleva no céu,
como no cume de uma onda.
E, subitamente, não se recordou
de mais nada.”
Ricardo Guilherme Dicke
Se não estou vendo o que estou
sentindo, muito menos o que escrevo, se o mundo cegou na escrita, se tudo o que
escrevemos não tem mais nenhum sentido, então, o que me diz? Oh, coração, sinto
o pulsar, meus dedos enrijecidos do frio, desse inverno que tudo toma conta da
criação, da leitura que não precisa mais ler, que tudo vem na mente, que nos
iludimos com nossa falta de propósito em relação à existência, então, o que me
diz?
Agora estou vendo meus dedos
tocando um piano de letras imaginárias num painel feito da imaginação. Uma
ranhura, um tipo de reentrância, uma fenda em que lá fica tudo: sujeiras,
lindezas da existência, e um profundo abismo no cosmo. É a física, é entranhar
no mundo viajado, imaginado em Odisseu.
Vou recortar meu tempo em
oralidade, escrita, amor, desilusão, vida intensa, perda, vida e caos, depois
trabalho, criação em desconstrução, som, leitura, doença, renascimento,
profunda afinidade com a vida, natação, amor e longevidade dos sonhos.
Não li o que escrevi, apenas
senti nas ranhuras.
*Prof. Dr. Luis Antonio Paim
Gomes
Filósofo. Mestre em filosofia e doutor
em comunicação. Editor. Escritor. Poeta. Livre Pensador.
Porto Alegre/RS
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