domingo, 19 de setembro de 2010

A Tudo Cede, A Tudo Vence


Will Goya
Filósofo Clínico
Brasília/DF


Errado pensar que o amor sempre vence e tudo pode.
Com o amor a gente aprende a perder.
Naturalmente,
Controlar tudo é perder o controle
E perde quem não está disposto a perder,
Pois o orgulho destrói não a culpa, mas o coração do culpado.
Amar não é desejar o próximo como a si mesmo,
É fazer do amado o primeiro e de si mesmo o próximo.

O amor não é fraco nem forte, muito ou pouco,
É apenas inteiro,
Ainda que por uma fração de segundos
Nos instantes mais belos da vida.
Só o que é simples é completamente inteiro.
Pura entrega, o amor é leve.
Quem ama caminha nas nuvens,
Pois seu coração alcançou o reino dos céus.

O amor brilha a pele de invisível ternura
Quando o corpo se reveste da alma.
Ninguém vê a fluidez da água mansa, o sopro macio e perfumado da brisa,
Nem jamais tocou o céu com as mãos...
Mas quem não sabe de onde vem o flutuante azul da vida
Que a vestiu da alegria de ser a beleza do mundo?
Vem do sonho de Deus quando o homem nele ainda dorme
Um desejo inconsciente de amar,
Que se chama solidão.
Segredo por Deus a ele revelado
Quando nele esse sonho o acordou melhor.

A grande melancolia do destino é que a morte existe
E o amor não pode evitá-lo.
Mas a garra de recomeçar é uma fé
Que, talvez, nenhuma outra vida mais próxima da verdade saberá
O mistério que o dia deita ao sol de cada nova manhã.
Dorme quem gosta. Ama quem sonha.

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