quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Sistema e singularidade

Miguel Angelo Caruzo
Filósofo Clínico
Teresópolis-RJ

Nossas ciências tanto humanas quanto exatas tendem a buscar constantemente uma explicação clara, objetiva, precisa e universal para questões humanas. Em ambas a universalização a partir de dados são fundamentais. Na contramão desses sistemas, se encontra a Filosofia Clinica. E esta tem como ferramenta de estudo a tábua de modos e submodos, e como finalidade, o estudo da singularidade.

A própria filosofia, principalmente com Aristóteles e Hegel, buscou intuir uma sistematização dentro da qual o ser humano poderia estar contemplado nessa totalidade. Enquanto objeto do pensamento filosófico, esses arcabouços sistemáticos são de alta relevância para a compreensão da realidade. E as demais formas de ciência são muito proveitosas, inclusive para o desenvolvimento da humanidade.

No entanto, quando se trata de trabalhar o homem, ou melhor, de auxiliá-lo em suas dificuldades existenciais, muito raramente qualquer ciência objetiva será válida. Aqui entra a singularidade.

A filosofia clinica é uma proposta de recepção do indivíduo e abertura ao seu modo de ver a realidade, para que a partir de sua representação de mundo, o apresente meios de resolver determinadas maneiras partindo de sua própria Estrutura de Pensamento. Estrutura essa que não vem de um estudo detalhado da humanidade, de fórmulas médicas, de uma lista de possíveis indicações sobre doenças, nem de nenhum outro modo que enquadre o sujeito em especificidades universalizantes.

A estrutura de pensamento é colhida diretamente do partilhante e organizada na observação do filósofo clínico, a partir de uma série de tópicos que servem como um grande quadro com divisórias. Um quadro referencial, mas que é preenchido unicamente pelo conteúdo apresentado pelo partilhante. Não há nenhuma fórmula pré-determinada para resolver qualquer questão apresentada. Cada caso é único, e não serve como parâmetro para o seguinte.

O filósofo clínico está constantemente em prontidão para cada partilhante que o procura, e para cada sessão que se sucede. Tudo é novo o tempo todo. A abertura do partilhante é sempre oportunidade de colher uma imensa riqueza de conteúdos únicos e irrepetíveis.

A experiência e a interpretação da mesma são próprios, e constituem uma série de consequências a serem profundamente assimiladas pelo filósofo clínico, a fim de trabalhar o melhor possível com o caso que lhe é apresentado.

O sistema ajuda a compreensão do todo. Leva a humanidade a caminhar com uma série de convenções e regras para uma melhor convivência.

A singularidade é o modo como cada indivíduo vivencia sua existência nesse mundo que busca ser regido por sistemas, que nem sempre compreendem a singularidade e, às vezes, a isola da convivência social.

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