segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

A palavra equilibrista*



O papel existencial do Filósofo Clínico, dentre outras características, se apresenta numa busca para vislumbrar, adequadamente, a distinção entre questões de periferia e o constructo_causa, estruturante dos desdobramentos existenciais. Nesse contexto de uma historicidade por vir, diante das imprevisibilidades possíveis, também reivindica-se um equilíbrio a gerenciar situações limite. 

Ao deslocar-se pelos conteúdos da interseção, o terapeuta pode ter de elaborar um chão nas alturas. Para atualizar o olhar dos movimentos da subjetividade, pode ser necessário qualificar a leitura da estrutura que vê, encontrar um ponto de apoio às oscilações da crise precursora. Essa dialética acolhe, investiga, traduz diversidades, num espaço onde necessita viver, conviver, sobreviver. Essa noção de uma inspiração singular, pode aparecer numa pluralidade irrealizada. Sua fonte de não-saber, como carência ou necessidade, institui uma conversação sobre as origens.  

Com a lógica equilibrista transparece um teor híbrido, a mover-se por esses ares de soneto inconcluso, sustentando uma estranha harmonia nas tempestades. Como um prisioneiro das lacunas e preenchimentos, tenta organizar os rituais de percepção e acolhimento entre variáveis e invariáveis. Assim sugere integração e base de apoio, num elo muito íntimo de semelhanças e dessemelhanças. Anuncia o devir contido nalgum ponto entre permanências e impermanências. 

Um ser-não-ser malabarista aprecia realizar experimentos, alternar procedimentos compartilhados, ampliar os limites da plasticidade, qualificar a relação. Tendo como nascimento a data imprecisa dos recomeços, seu teor sustenta andarilhos no arame sutil de realidade e ilusão.     

Ao desenvolver uma estética das autogenias (um tema abordado originalmente no texto: 'Diálogos com a lógica dos excessos'. Ed. E-papers. RJ. 2009) para aproximação com regiões desconsideradas, incluindo discursos incompletos, raciocínios desestruturados... singularidade, foi possível descrever, apontar, cuidar desses refúgios onde ser e não-ser se esboçam.

A busca por qualificar o diálogo da estrutura de pensamento com ela mesma, pode significar a tradução de bem estar subjetivo como algo possível de realizar.   

*Hélio Strassburger  

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