segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

A palavra ressonância*



Escrever sobre as repercussões de um encontro clínico, reivindica deslocar-se em estado de redução fenomenológica. Se trata de tentar visualizar eventos em sua matriz de desencadeamento compartilhado, por onde acessos inesperados se descortinam, sugerem uma dialética nem sempre traduzível.    

As poéticas da terapia esboçam seus inéditos e os ampliam pela interseção bem sucedida. Esses enredos seriam inimagináveis não fora a alquimia da atuação subjuntiva, a qual, iniciada na hora_sessão, se multiplica no cotidiano por vir. Dos múltiplos aspectos sobre seu alcance, sentido, direção, se destaca a alteração dos pontos de vista. Reinvenção pela aptidão dos procedimentos a se tornar transformação pessoal pela via da introspecção.   

A cooperação da categoria tempo é fundamental, nesse momento irrepetível, onde uma chave encontra sua porta. Ao acolher compreensivamente o que ressoa, é possível modificar representações, redescobrir-se em meio ao ir e vir das conexões.    

Os movimentos assim mencionados possuem um silêncio impregnado de originais. Num presente que se amplia, outros percursos se realizam na estrutura labirinto. Na companhia da solidão esses ecos da terapia vão constituindo sentimentos, ideias, sensações. Sua expressividade atua para organizar-se num agora definitivo. Aqui se trata do território ampliado pela transcendência, lugar de realidade estranha, onde é possível, no viés de um segundo, mesclar papéis existenciais.  

Esses conteúdos do encontro expandido continuam atuando após a hora_clínica. Os agendamentos do Filósofo, ao encontrar acolhimento na perspectiva Partilhante, interagem em desdobramentos à meia-luz. Assim rememora, desconserta, reelabora, significa algo mais até então desconhecido, procura um procedimento singular capaz de fazer ver, assimilar, viabilizar essa via de acesso, por onde a intencionalidade prossegue sua atividade cuidadora. 

Ao estender-se assim, essa relação atualiza rumores de esboço compartilhado. Com ela é possível recompor buscas, desconstruir certezas, emancipar tópicos marginalizados. Esse norte_sul_leste_oeste, utilizando uma matéria-prima irrepetível em cada pessoa, costuma repercutir-se num processo nem sempre explicável.  

A palavra terapia é a brisa leve, acolhedora, cúmplice das transgressões aos outros que o mesmo anuncia. Ao vislumbrar esses instantes, reivindica-se um acordo de vontades, um chão para compreender a natureza improvável em quase tudo.  
*Hélio Strassburger 

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