quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Contradição*


E então vestia-se de anjo
Sabia exatamente o que queria
Mas o que queria mesmo, nunca soube...

Adorava a noite com suas sombras. Contudo temia os olhos do escuro. Seu dia era pesado. Á noite vestia-se de seu sorriso e se alegrava. Enchia-se de coragem.
Reclamava do tempo e da sua lentidão. Sabia, todavia, que não havia outro jeito. O tempo era o melhor remédio para algumas dores. Então, dava tempo ao tempo. E o tempo lhe retribuía na mesma moeda.

Amava a chuva e os dias nublados. Por aquilo que eles escondiam..Escrevia sobre aquilo que o tempo não mostrava. Ansiava por um grande amor na chuva....
Temia o desconhecido. Mas o mistério a fascinava. Vestia-se muito mais para se ocultar, do que se revelar. Entrava mar adentro, voava com o vento , surfava nas nuvens.

Adorava viajar. Pegou então uma carona para as estrelas. Não haviam lhe ensinado que o brilho de umas é tão lindo de longe, mas queima de perto.
Não queria se entregar a amores. Mas pensava o tempo inteiro em um deles. Deu-se conta que as pessoas se iludem. Por vezes o boca mente, a mente ignora e o coração se engana...
Era um anjo
Achava que sabia o que queria
Mas o queria mesmo, nunca saberá....

*José Mayer
Filósofo. Livreiro. Poeta, Estudante na Casa da Filosofia Clínica
Porto Alegre/RS

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