terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Fragmentos filosóficos, delirantes*


"(...) a cada movimento de meus olhos varrendo o espaço diante de mim, as coisas sofrem breve torção, que também atribuo a mim mesmo (...)"

"Assim, a relação entre as coisas e meu corpo é decididamente singular: é ela a responsável de que, às vezes, eu permaneça na aparência, e outras, atinja as próprias coisas; ela produz o zumbir das aparências, é ainda ela quem o emudece e me lança em pleno mundo."

"(...) este mundo que não sou eu, e ao qual me apego tão intensamente como a mim mesmo, não passa, em certo sentido, do prolongamento de meu corpo; tenho razões para dizer que eu sou o mundo."

"No grânulo do sensível, encontramos a segurança de uma série de desdobramentos que não constituem a ecceidade da coisa mas que dela derivam. Reciprocamente, o imaginário não é um inobservável absoluto; encontra no corpo análogos de si mesmo que o encarnam."

"A filosofia não propõe questões e não traz as respostas que preencheriam paulatinamente as lacunas. As questões são interiores à nossa vida, à nossa história: nascem aí, aí morrem, se encontraram resposta, o mais das vezes aí se transformam: em todo o caso, é um passado de experiência e de saber que termina um dia nesse abismo."

"(...) o filósofo procura - uma linguagem da coincidência, uma maneira de fazer falar as próprias coisas."

M. Merleau-Ponty in "O visível e o invisível." Ed. Perspectiva. SP. 1999

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