quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Fragmentos filosóficos, delirantes*


"Operação capaz de mudar o mundo, a atividade poética é revolucionária por natureza; exercício espiritual, é um método de libertação interior."

"Há máquinas de rimar, mas não de poetizar. Por outro lado, há poesia sem poemas; paisagens, pessoas e fatos muitas vezes são poéticos: são poesia sem ser poemas."

"Cada poema é um objeto único, criado por uma "técnica" que morre no momento exato da criação. A chamada "técnica poética" não é transmissível porque não é composta de receitas, e sim de invenções que só servem a seu criador."

"Ser um grande pintor significa ser um grande poeta: alguém que transcende os limites da sua linguagem."

"A leitura do poema tem grande semelhança com a criação poética. O poeta cria imagens, poemas; e o poema faz do leitor imagem, poesia."

"(...) as palavras são rebeldes à definição."

"Cada palavra ou grupo de palavras é uma metáfora. E desse modo é um instrumento mágico, ou seja, algo suscetível de tornar-se outra coisa e de transmutar aquilo em que toca (...)" 

"Sim, a linguagem é poesia e cada palavra esconde certa carga metafórica disposta a explodir no momento em que se toque na mola secreta, mas a força criadora da palavra reside no homem que a pronuncia."

"O poeta o cria (o poema); o povo, ao recitá-lo, recria. Poeta e leitor são dois momentos de uma mesma realidade. Alternando-se de uma forma que não é incorreto chamar de cíclica, sua rotação engendra a faísca: a poesia."

"(...) magos e poetas, ao contrário de filósofos, técnicos e sábios, extraem seus poderes de si mesmos."

"A poesia nos abre a possibilidade de ser que decorre de todo nascer; recria o homem e o faz assumir sua verdadeira condição, que não é a alternativa vida ou morte, mas uma totalidade: vida e morte num único instante de incandescência."

*Octavio Paz in "O arco e a lira" Ed. Cosac Naify. SP. 2012.  

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