sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Fragmentos Filosóficos, Delirantes*



"O nada e o ser são sempre absolutamente outros, é precisamente seu isolamento que os une; não estão verdadeiramente unidos, apenas se sucedem mais depressa diante do pensamento. Já que o vazio do Para-Si se preenche, já que o homem não está presente imediatamente a tudo, mas muito mais especialmente num corpo, numa situação e, somente através deles no mundo (...)."

"(...) o olhar do outro - e é nisso que ele me traz algo de novo - envolve-me por inteiro, ser e nada."

"Aparentemente, essa maneira de introduzir o outro como incógnita é a única que considera sua alteridade e a explica."

"(...) o filósofo procura - uma linguagem da coincidência, uma maneira de fazer falar as próprias coisas."

"(...) um mistério familiar e inexplicado, de uma luz que, aclarando o resto, conserva sua origem na obscuridade."

"Lembrando Valéry: 'a linguagem é tudo, pois não é a voz de ninguém, é a própria voz das coisas, ondas e florestas.'"

"(...) a certeza de que as coisas têm outro sentido além daquele que estamos em condições de reconhecer."

"Há uma espécie de loucura da visão que faz com que, ao mesmo tempo, eu caminhe por ela em direção ao próprio mundo e, entretanto, com toda a evidência, as partes desse mundo não coexistam sem mim (...)"

*Merleau-Ponty in "O visível e o invisível". Ed. Perspectiva. SP. 1999.

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