domingo, 6 de novembro de 2016

Os sonhos da poesia*


Por convenção dizem que hoje é o dia do poeta.

Mas como isso pode ser assim? O poeta e as convenções jamais se deram bem, são incompatíveis, sobretudo, porque enquanto um quer padronizar, ajustar e tolher asas, o outro deseja por inteiro libertar e impulsionar sonhos até a sua concretude. Quem crê nas convenções, quase sempre são tradicionalistas demais, realistas demais e seguramente dotados de dois pés e um coração bem presos ao chão.

Já os poetas - pelo menos um - justamente esse que vos fala é um desajustado, não passa de um sonhador com coragem suficiente para ousar sentir e fazer mesmo em tempos de tanta descrença e cegueira.

A verdade é que talvez, ser poeta não caiba num dia inteiro nem em lugar nenhum, com efeito, pelo simples fato de que ser poeta é tão somente agora, nem ontem, nem hoje, nem amanhã, apenas agora e sempre do início a eternidade presente em cada átomo, em cada célula, em cada pulso, impulso ou pausa; ser poeta se dá nos gritos e nos silêncios também, se dá no calor de um abraço, de um beijo, se dá até mesmo quando se escolhe a solidão para sábios e duradouros resguardos.

Enfim, ser poeta, pelo menos para um deles, provavelmente o menos hábil, perpassa necessariamente pela consciência de que nunca nenhum realista transformou a realidade porque para fazer história e mudar o mundo nosso ou dos outros fundamentalmente é preciso sonhar e ter coragem. Musa!

*Prof. Dr. Pablo Mendes
Filósofo. Educador. Filósofo Clínico
Porto Alegre/RS

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